março 03, 2008

Terri Timely

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Já aqui falámos do belo vídeo dos The Little Ones (e que fez parte do alinhamento do brand:new da última 6.ª-feira). Pois bem, esse clipe é da autoria de um genial colectivo de realizadores (e músicos) chamado Terri Timely. Inicialmente denominados Terribly Timely, os rapazes começaram a ser uma banda, mas rapidamente chegaram à conclusão que a sua vocação era a feitura de vídeos musicais. Vale bem a pena irem ao site desses rapazes que contém a impressionante lista de vídeos que realizaram para gente tão distinta como Joana Newson, Modest Mouse e Laura Veirs, entre outros. Vão ver que não se irão arrepender.

janeiro 17, 2008

Sub Filmes

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Já era para ter falado nisto antes, mas tem havido nas últimas semanas uma grande agitação no canil (preparação de mais um tapete e do novo formato bi-semanal do brand:new - novidades em breve). É que há alguns meses que a Sub Filmes, a produtora nacional com mais currículo no universo dos vídeos musicais tem, finalmente, um novo site todo catita. Vale mesmo a pena irem lá espreitar não apenas a lista impressionante de videoclipes que já produziram, como os spots publicitários e os restantes conteúdos. Apenas uma crítica canina: a ausência de fichas técnicas a creditar os responsáveis por cada um dos belos objectos audiovisuais. Não se arranja isso, Rui de Brito?

setembro 24, 2007

5 vídeos experimentais de Mike Mills para os Blonde Redhead

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Já que estamos a falar dos Blonde Redhead, há uma notícia muito relevante para quem vibra com o universo dos vídeos musicais. O grande Mike Mills, autor dos dois vídeos iconográficos dos Air (Kelly Watch The Stars e Sexy Boy) e do filme Thumbsucker (2005), resolveu interromper um hiato de 5 anos e dirigir 5 videoclipes «experimentais» (é assim que o próprio os apoda) para os Blonde Redhead. Os vídeos podem ser todos vistos em Quick Time: 23, My Impure Hair, Top Ranking, The Dress e Silently. As músicas (todas elas muito boas) foram retiradas do último disco da banda e, quanto aos vídeos, os resultados são irregulares, mas há lá no meio pelo menos uma obra-prima: o clip de «Top Ranking», que conta com a presença da magnética e talentosa Miranda July.

setembro 06, 2007

Uma aproximação à obra de José F. Pinheiro

Complemento supérfluo e desnecessário, veículo de promoção ou ferramenta de marketing, invenção da MTV, presumível suspeito do assassínio de uma estrela radiofónica cujo cadáver jamais foi encontrado e, mais grave ainda, objecto artístico – de tudo um pouco já foi acusado o formato audiovisual com as costas mais largas desde a invenção da televisão e que, pouco a pouco, parece querer encontrar na Internet o seu habitat natural. Se os vídeos musicais possuem uma história que ainda está em grande parte por escrever, é no entanto possível traçar uma sinopse da história do videoclipe em Portugal a partir da monumental obra de um único e singular realizador: a de José Pinheiro.

O trabalho de José Pinheiro como realizador tem estado sempre ligado à música. Nos últimos 17 anos, concebeu e realizou cerca de duas centenas de vídeos musicais para um conjunto vastíssimo de artistas e bandas portuguesas, bem como diversos programas de música (Pop-Off, 1990-93; Top 25 RFM/TVI, 1994; Made in Portugal, 1994-96 e Spray, 1996-97), documentários (Madredeus – O Paraíso, 1997) e videoconcertos, entre os quais se destaca a gravação do espectáculo dos Sonic Youth no Campo Pequeno em 1993 e cujo áudio viria a dar origem à edição, por parte da Moneyland Records de João Paulo Feliciano, dos 1500 exemplares de Blastic Scene, o mítico disco ao vivo apadrinhado pela banda. Mais recentemente, o seu primeiro filme documentário Brava Dança (que muito mais do que uma biografia dos Heróis do Mar é um autêntico retrato de uma geração) teve a sua estreia nos cinemas em Março deste ano.

Numa altura em que Portugal organiza o seu primeiro festival internacional de vídeo musical, a retrospectiva que o ViMus oferece da obra de José Pinheiro dificilmente não poderá ser vista como um dos maiores atractivos do programa. Não apenas porque permite ao grande público conhecer, através de uma criteriosa selecção de 25 vídeos complementada por uma dezena de videodocumentários e videoconcertos, o trabalho do mais produtivo e veterano realizador português de videoclipes, como a sua ordenação cronológica constitui uma autêntica narrativa da evolução do nosso panorama videomusical nas duas últimas décadas. Cobrindo um vasto leque de suportes de gravação (VHS, Video 8 e Hi8, U-Matic, Betacam SP e Betacam Digital, 16 e 35 mm, DV, DVCam e HDV) e diversas gerações de músicos e artistas, a obra de José Pinheiro consegue a proeza de ser simultaneamente experimentalista sem ser arty e referencial sem ser datada. Se tivermos em conta as características de um mercado audiovisual que apenas recentemente começou a disponibilizar plataformas onde os videoclipes nacionais pudessem ser, pelo menos em potência, difundidos de forma regular, a dimensão e a qualidade do trabalho de José Pinheiro não é apenas um exemplo de persistência, mas a prova de que o talento pode superar as maiores adversidades.

Perante a indiferença de uma indústria musical pouco atenta e nada exigente com a promoção audiovisual, a sistematização do videoclipe como formato e linguagem ao alcance dos projectos musicais portugueses acabou por se concretizar num programa televisivo absolutamente inovador para a sua época e que, até hoje, não encontrou um sucedâneo que lhe fizesse justiça. Todas as semanas, ao longo dos três anos em que esteve no ar, e com um orçamento de apenas 40 contos por programa, José Pinheiro realizou ou produziu no Pop-Off mais de uma centena de vídeos em estreita colaboração com as bandas e os artistas, deixando um lastro cuja influência é inegável na definição do imaginário pop da música portuguesa. É este o período iconoclasta e subversivo de um jovem José Pinheiro ávido em experimentar com grande inventividade e imaginação os parcos recursos técnicos postos à disposição da sua equipa. Se, ainda hoje, o facto deste autêntico laboratório de vídeos musicais que foi o Pop-Off ter nascido no seio de uma instituição tão conservadora como a RTP continua a suscitar-nos alguma perplexidade, a sua longevidade pode ser explicada pela forma entusiasta como uma imensa minoria ávida de novos sons e imagens recebeu vídeos como o de És Cruel dos Ena Pá 2000 (José Pinheiro, 1991) ou o de «Budapeste» dos Mão Morta (Nuno Tudela, 1993). Nunca um programa da televisão portuguesa foi, ou voltaria a ser, tão influente na formação dos gostos estéticos dos seus telespectadores.

Apesar das marcas que a fase Pop-Off deixou na sua obra, e que são facilmente detectadas em vídeos como os de Chuva Dissolvente dos Xutos e Pontapés (1992) ou de Vox Prophetica dos Golpe de Estado (1993), seria depois do mítico programa de televisão que a obra de José Pinheiro atingiria a sua maioridade. Basta comparar os seus primeiros vídeos ao rigor cromático de Diabo à Solta (Armarguinhas, 1996) ou à forma como reinventa o lugar-comum do supermercado no vídeo pop-art de Mamapapa (Repórter Estrábico, 1999) para nos apercebermos da sua manifesta evolução técnica e artística e começarmos a detectar a característica mais notável, porque rara, do realizador: a sua enorme versatilidade. Esse eclectismo não seria tão admirável se não estivesse constantemente ao serviço da música que está na base da criação dos seus videoclipes. Apesar de ser perfeitamente legítimo um vídeo musical divergir estética e tematicamente da canção que lhe serve de ponto de partida, a obra de José Pinheiro ignora deliberadamente essa possibilidade e opta por seguir aquela que é, provavelmente, a sua única regra de ouro: a de jamais trair uma canção. Na maioria dos seus videoclipes, esse compromisso tende mesmo a dar um salto significativo da canção para o artista, isto é, as imagens contribuem de forma decisiva para a definição estética dos projectos musicais. Isso é particularmente evidente no caso dos Madredeus e de Rodrigo Leão, mas não só. Creio que não existe um vídeo dos Três Tristes Tigres que represente de forma tão inequívoca a musicalidade da banda como o de «O Mundo a meus pés» (1993), nem outro vídeo dos Ornatos Violeta que seja tão Ornatos Violeta do que o de Ouvi Dizer (1999), ou sequer um vídeo dos GNR que seja mais GNR do que essa absoluta obra-prima que é o vídeo de Tirana (1998). Não é por isso de estranhar que, quando os Supernova (que foram aquilo que de mais próximo o nosso país teve de uma banda indie) vieram parar às mãos de José Pinheiro, este os tenha brindado, num gesto em tudo comparável ao de Spike Jonze quando co-realizou o vídeo de Cannonball das Breeders, com o vídeo de Scan My Mind (1997), autêntico arquétipo de um género bissexto: o vídeo performativo indie português. A qualidade sinestésica da sua obra atinge o seu auge nos seus dois vídeos premiados: «A Casa» (2000) de Rodrigo Leão e, sobretudo, em O Navio de Espelhos (1997) de Os Poetas, onde a fusão num único objecto artístico da palavra, da música e da imagem são uma demonstração cabal de que, num vídeo musical, o todo pode ser imensamente superior à soma das partes.

Finalmente, os vídeos mais recentes de José Pinheiro vieram confirmar duas linhas evolutivas da sua obra que, convenhamos, não abundam no universo predominantemente onírico dos videoclipes: o seu carácter cada vez mais mimético e referencial – que atinge uma sofisticação verdadeiramente assombrosa no vídeo dos No Data (Hino Ao Vento, 2005) –, e o seu pendor etnográfico ou antropológico. Estes dois denominadores comuns não apenas possuem o mesmo intento (a definição cultural de uma certa portugalidade), como possuem a mesma génese: o seu fascínio pelos corpos, gestos, rostos e expressões das pessoas que, de alguma forma, não representam mas reflectem o nosso país. Seja no porte esfíngico de Teresa Salgueiro (Ao longe o mar (astro’s reflect and chill mix), 2004), na quase insuportável expressividade de um rosto como o de Mário Cesariny (O Navio de Espelhos, 1997), na melancolia mal disfarçada de Margarida Pinto (Apontamento, 2005) ou na galeria de talking heads que povoam Brava Dança (2006), José Pinheiro consegue sempre convocar os enquadramentos e as técnicas de filmagem apropriadas para, em cada caso, transformar o rosto humano numa paisagem que sugerirá ao espectador mais atento o que a música e as palavras querem, mas não conseguem dizer.

João Pedro da Costa
Agosto 2007


RETROSPECTIVA JOSÉ F. PINHEIRO (ViMus, 6 a 9 de Setembro 2007)

Vídeos Musicais (selecção)
«Sonâmbulos» (Lobo Meigo, 1990, Pop-Off)
«Improviso» (José Luís Desirat / Rodrigo Amado, 1991, Pop-Off)
«És Cruel» (Ena Pá 2000, 1991, Pop-Off)
«Asiouasi» (Anabela Duarte, 1991, Pop-Off)
«Deep Sky» (Matrix Run, 1992, Pop-Off)
«Calmeirona» (De Biltres, 1992, Pop.Off)
«Chuva Dissolvente» (Xutos e Pontapés, 1992)
«Road to Redemption» (Lx90,1993)
«Vox Prophetica» (Golpe de Estado, 1993)
«O Mundo a meus pés» (Três Tristes Tigres, 1993)
«Vem (além de toda a solidão)» (Madredeus, 1994)
«Sou como um rio» (Delfins, 1995)
«Diabo à solta» (Amarguinhas, 1996)
«Postal dos correios» (Rio Grande, 1996)
«O navio de espelhos» (Os Poetas, 1997) (Prémio Videoclip do Ano, MTV, 1998)
«Scan my mind» (Supernova, 1997)
«Tirana» (GNR, 1998)
«My friends» (Silence 4, 1998)
«Mamapapa» (Repórter Estrábico, 1999)
«Ouvi Dizer» (Ornatos Violeta,1999)
«Another one» (Blind Zero, 2000) (Inédito)
«A Casa» (Rodrigo Leão, 2000) (Prémio Videoclip Nacional, Fantasporto, 2001)
«Ao Longe o mar (astro's reflect and chill mix)» (Madredeus, 2004)
«Apontamento» (Margarida Pinto, 2005)
«Hino ao vento» (No Data, 2005)

Videodocumentários e videoconcertos (selecção)
Popoff 1990–1993 (excertos, 12’)
Sonic Youth ao vivo no Campo Pequeno 1993 (Betacam SP, 66’)
Spots Publicitários 1996-2000 (vários, 3’)
Portugal/Frankfurt 97 (16mm, 5’)
Spray 1997–1998 (excertos, 8’)
O Porto revela-se (1999, Betacam SP, 6’)
O Trabalho (2001, 3 mini-documentários, 15’)
Montemor (2001, 2’)
Grão Vasco (2002, 5’)
Um Bom Pastor (2002)
Cinema - Rodrigo Leão ao vivo no Fórum Lisboa (2004, DVcam, 55’)
Mar - Madredeus Ballet (2006, DVcam)
Infante D. Henrique - Grandes Portugueses (2007, excerto, 4’)
Música ao vivo - Festivais de Verão (2007, multi-formato, vários, excertos)

Filme documentário
Brava Dança (co-realização com Jorge P. Pires) (2006, multi-formato, 80’)

abril 15, 2007

Pleix

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Aproveitando o lastro do mais recente vídeo dos Groove Armada, eis uma boa ocasião para vos falar da Pleix, uma comunidade virtual de artistas digitais sedeada em Paris. Apesar de ser um grupo heterogéneo, a maioria dos seus membros são designers gráficos que trabalham (e de que maneira) as tecnologias 3D, sendo sobretudo conhecidos pelos seus projectos na área da publicidade. É possível ver no site da Blink (clicar em «Realizadores» e depois em «Pleix»), seis belos exemplos do trabalho digital desta comunidade - os anúncios para a Audi e a Adidas, em particular, são exemplos paradigmáticos dos processos de (de)composição mecânica de objectos, uma das imagens de marca da produtora parisiense. No que diz respeito ao universo dos vídeos musicais, o currículo da Pleix não é tão vasto, mas nem por isso menos impressionante. Para além do mais recente vídeo dos Groove Armada, deixo-vos aqui uma selecção dos meus três vídeos favoritos, em que vem ao de cima a espantosa capacidade destes rapazes em darem pulso às suas criações, por vezes, quase exclusivamente feitas através do recurso a computadores (em alternativa, uma versão Quick Time de maior resolução de todos estes vídeos pode ser vista aqui).


- «Cish Cash» (Basement Jaxx, 2003) - uma impressionante coreografia de material bélico que consegue transformar tanques e helicópteros em objectos absolutamente inofensivos. E poéticos.


- «E-Baby» (Bleip, 2003) - se o apuro técnico desta animação já é, só por si, motivo de espanto, então que dizer à sua capacidade de emocionar as mentes mais empernecidas? Uma obra-prima.


- «Poney» (Vitalic, 2006) - já conhecido pelos leitores habituais do blogue, este é o vídeo canino por excelência. O teledisco teve tanto sucesso que o nome desta pequena curta metragem («Birds») tem conseguido sobrepor-se ao nome do próprio tema.

abril 10, 2007

Ben Dickinson (vídeos para os The Rapture)

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Na última edição do brand:new, passámos «Pieces Of The People We Love» dos The Rapture. Ora, os mais atentos já terão reparado no trio de magníficos vídeos que a banda nova-iorquina ofereceu ao mundo desde o lançamento do seu segundo álbum. Nem por acaso, todos eles foram realizados por Ben Dickinson, talvez a maior revelação do ano passado no que diz respeito ao sempre fervilhante universo dos vídeos musicais (e basta, para isso, ver o teledisco de North American Scum dos Lcd Soundsystem). O rapaz trabalha para a produtora nova-iorquina Waterfly Films e a sua videografia para os The Rapture demonstra bem o apuro técnico e a diversidade do seu talento. Para mim, é o realizador do momento. E os The Rapture, a banda com o mais apurado bom gosto da actualidade.


- «Pieces of The People We Love» (2007, co-realizado por Jon Watts)


- «Whoo! Alright - Yeah... Uh Huh» (2007)


- «Gotta Get Myself Into It» (2006)

março 10, 2007

Dom & Nic - parte I (vídeos para os Faithless)

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Já que estamos a falar dos Faithless, vou aproveitar a onda para vos introduzir a dupla de realizadores Nick Goffey e Dominic Hawley, mais conhecidos pelo nome de guerra Dom & Nic. A dupla trabalha para a incontornável Factory Films e há mais de 12 anos que têm sido responsáveis por alguns dos objectos videográficos mais interessantes do universo pop. Uma característica interessante de Dom & Nic é o facto de terem trabalhado para um número reduzido de artistas que, pelos vistos, não hesitam em voltar a contratar os seus serviços - o record é dos Supergrass, para quem a dupla já realizou nada mais nada menos do que 14 (!!!) vídeos. Para já, deixo-vos o resultado da colaboração dos rapazes com os Faithless. Prometo voltar a falar neles em breve.


- «Why Go?» - (2001) - é porventura o vídeo mais popular dos Faithless. A ideia é muito simples mas eficaz: a de acompanhar uma hiper-activa figura feminina que transporta ao longo do dia a energia da pistas de dança que é, como é óbvio, o habitat natural da música dos Faithless.


- «We Come 1» (2001) - talvez a obra-prima da videografia destas duas duplas. Um impressionante teledisco em que cenas de violência urbana entre jovens e a polícia são reproduzidas num espaço fechado. Muito bom.


- «Mass Destruction» (2004) - um dos grandes êxitos da dupla e, curiosamente, um dos poucos em que se desviam da matriz «house». O vídeo recria o clássico Addicted To Love de Robert Palmer.

fevereiro 16, 2007

Chris Milk

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Esta entrada é um pouco «off-topic», mas como cada cão tem a sua mania, a minha (pelo menos hoje) é falar-vos um pouco sobre Chris Milk. O rapaz é um jovem realizador norte-americano que iniciou a sua carreira com anúncios publicitários, tendo arrecadado um Gold Clio quando ainda era estudante, prémio que representa para a publicidade televisiva, o que um Óscar é para o cinema. A carreira de Chris Milk como realizador de vídeos é relativamente recente, mas em apenas 3 anos já consegui trabalhar para nomes como os The Chemical Brother, Kanye West, Audioslave, John Mellencamp, Gnarls Barkey e ainda para a dupla U2 / Green Day (naquele que é o seu menos conseguido vídeo de sempre). Ficam de seguida, os meus 3 vídeos favoritos do rapaz. Espero que gostem.


- «The Golden Path» (The Chemical Brothers ft. The Flaming Lips, 2003) - belíssimo exercício retro em que um miserável yuppie sonha acordado com o universo hippie. É o seu primeiro vídeo e, já aí, consegue-se vislumbrar a influência do imaginário kafkiano no seu universo criativo. A música, claro, é uma absoluta obra-prima.


- «Touch The Sky» (Kanye West ft. Lupe Fiasco, 2006) - é um belo vídeo feito à medida da megalomania do produtor e compositor norte-americano. Na minha opinião, há aqui uma certa derrisão voluntária de Chris Milk sobre a imagem de Kanye West. Só falta saber se este último teve consciência disso. Quem é que se terá lembrado de ir buscar a Pamela Anderson?


- «Gone Daddy Gone» (Gnarls Barkley, 2006) - os Gnarls Barkley, já se sabe, não apenas marcaram o ano de 2006 com a sua música, mas também com a qualidade dos seus cinco vídeos musicais. Chris Milk mantém a fasquia elevada com um vídeo que é uma espécie de versão digital da «Metamorfose» de Franz Kafka. Muito bom.

fevereiro 10, 2007

Jamie Thraves

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Para além de ter realizado um dos grandes filmes indie da década de 90 (The Low Down), Jamie Thraves é igualmente responsável por alguns dos mais marcantes vídeos musicais dos últimos anos. Actualmente a trabalhar para a Factory Films (casa dos nossos conhecidos Wiz e Rachel Reupke), os telediscos de Jamie Thraves sempre denotaram uma forte vertente narrativa e, em muitos casos, não é exagerado dizer que o seus vídeos possuem uma espessura dramática de fazer inveja a muito filme que anda por aí. Deixo-vos uma selecção dos meus 3 vídeos favoritos.


- «Just» (Radiohead, 1995) - o vídeo que o lançou para a fama e um dos que deixou mais lastro nos últimos anos. Nota máxima para a utilização muito «Nouvelle Vague» das legendas.


- «Why So Sad?» (Manic Street Preacher, 2001) - é, tão simplesmente, o melhor vídeo dos MSP. A sobreposição anacrónica dos cenários é um achado, sobretudo porque articula a fantasma dos Beach Boys que plana sobre o tema.


- «The Scientist» (Coldplay, 2002) - apesar de não ser inovador, não consigo recordar-me de um vídeo que utilize de forma tão irreprensível o efeito «reverse».

dezembro 12, 2006

Robert Hales

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2006 não foi apenas o ano dos Gnarls Barkley, mas também de Robert Hales que realizou nada mais nada menos que 3 vídeos para a dupla Danger Mouse / Cee Lo. O realizador britânico já dirigiu quase três dezenas de telediscos desde 1999 para bandas como os Stone Temple Pilots, Black Rebel Motorcycle Club, Stereophonics, Graig David e Oasis. Deixo-vos de seguida três streamings para outros tantos videoclips que Hales realizou este ano. Nenhum deles atinge o requinte do seu trabalho com os Gnarls Barkley, mas já é possível descortinar neles a griffe do autor.


- «For Us» (Pete Yorn)


- «Put Your Money Where Your Mouth Is» (Jet)


- «Everything I'm Not» (The Veronicas)

outubro 29, 2006

Jonathan Dayton & Valerie Faris

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Já que na última entrada referi o vídeo «Tell Me Baby» dos Red Hot Chili Peppers, vou aproveitar para vos falar um pouco do trabalho de Jonathan Dayton e Valerie Faris, dupla de realizadores que já realizou mais de três dezenas de vídeos para bandas como os já referidos Red Hot («Other Side», «Californication», «Road Trippin'», «By The Way», «The Zephir Song»), REM («Star 69», «Tongue»), Smashing Pumpkins («Rocket», «1979», «Tonight», «The End is the Begining is the End», «Perfect») e Janet Jackson («Go Deep»). Para além de já terem ganho dois Grammies, nove MTV Music Video Awards e ainda o galardão da Billboard pararealizadores do ano e de serem autores de vários spots publicitários que podem ser visualidos no site da sua produtora Bob Central (destaque absoluto para o «Traktor Beam da Playstation 2 da Sony»), a dupla realizou igualmente uma primeira longa-metragem que é simplesmente o melhor filme em exibição no nosso país intitulado Little Miss Sunshine. Antes de terminar, não resisto a deixar-vos aqui um dos mais emblemáticos telediscos de Jonathan Dayton e Valerie Faris: «Been Caught Stealing» dos Jane's Addiction. Um clássico absoluto da década de 90.

agosto 22, 2006

Julian House & Julian Gibbs (Intro)

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Tal como tinha prometido no post anterior, venho vos falar um pouco da Intro, uma empresa de design fundada em 1988 e que saltou para a ribalta em 2000, quando idealizou a magnífica capa de Xtrmntr (lê-se «Exterminator») e o vídeo de «Kill All Hippies» dos Primal Scream. Julian House e Julian Gibbs são a dupla que se se tem destacado na produção de vídeos musicais, ao transpor para esse universo uma das características fundamentais do trabalho da Intro: a colagem. Para além de dois belos telediscos, deixo-vos alguns links para páginas cuja visita aconselho vivamente: este, este e este.


- «There Goes The Fear» (Doves, 2002)


- «Girls» (Prodigy, 2004)

agosto 13, 2006

Saam Faramand

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Na última edição do brand:new (por favor, não me façam escrever outra vez «chroma key»), passámos Gravity's Rainbow, o novíssimo vídeo dos Klaxons. O teledisco é da autoria de Saam Faramand, um jovem realizador britânico que, apesar de apenas ter 3 trabalhos no currículo, já se destaca da concorrência ao enveredar por caminhos menos óbvios na produção dos seus vídeos musicais. O seu primeiro teledisco é o relativo a Mirror Mirror (Quick Time) dos Clor e é um impressionante exercício de estilo sobre a (ausência de) iluminação com evidentes influências lynchianas. O segundo vídeo, relativo a «Good Stuff» dos Clor, é a negação absoluta do primeiro, mais parecendo um daqueles insólitos filmes que as grandes marcas encomendam para realçar as superlativas qualidades cromáticas dos seus altamente tecnológicos televisores. Ou muito me engano, ou temos aqui um nome que irá dar muito que falar nos próximos tempos.

agosto 05, 2006

Shynola

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Na última edição do brand:new (que, lembro, foi exclusivamente dedicada aos vídeos musicais inspirados em jogos de computador), passámos o magnífico vídeo de Move Your Feet (Quick Time) de Junior Senior. Ora, esse teledisco é um excelente pretexto para vos falar um pouco do trabalho de Shynola, um colectivo britânico de realizadores e ilustradores formado por Gideon Baws, Chris Harding, Kenny Kenworthy e Jason Groves que tem produzido para o universo pop alguns dos mais originais telediscos dos últimos anos, tendo sido igualmente os autores dos famosos blips do álbum Kid A dos Radiohead. Deixo-vos de seguida uma selecção dos meus quatros vídeos favoritos dos rapazes (para além do de «Move Your Feet», é claro). Todos eles são pequenas obras-primas da arte da animação. E do humor subtil.


- «Is A Woman» (Lambchop, 2003) - raramente um teledisco conseguiu criar uma intimidade tão intensa com um trilha sonora com a deste magnífico trabalho de animação com uma das mais belas e frágeis canções de Kurt Wagner. Melhor do que isso só mesmo a escuridão. E o silêncio.


- «Go With The Flow» (Queens Of The Stone Age, 2003) - é um dos telediscos mais iconográficos do novo milénio e aquele que garantirá a presença dos QOTSA nos anais dos vídeos musicais (que o digam os Dapunksportif). Façam-me o favor de reparar na seguinte ordem cronológica: primeiro saiu este teledisco e só dois anos depois é que estreiou Sin City, a adaptação cinematográfica de Robert Rodríguez ao universo de Frank Miller. Ah pois é.


- «Good Song» (Blur, 2003) - a obra-prima dos rapazes e, paradoxalmente, o menos sofisticado do ponto de vista técnico. Mas não tem nada que enganar: a rudeza dos traços e o humor fazem deste teledisco um dos momentos mais singulares da história recente dos vídeos musicais. Genial.


- «E-pro» (Beck, 2004) - este teledisco não entrou na nossa selecção de vídeos musicais inspirados em jogos de computador por uma unha negra. O vídeo marca o regresso de Beck não apenas a uma renovada inspiração musical, mas igualmente a algo que marcou grande parte da sua carreira: a qualidade dos seus videoclips.

julho 20, 2006

Michel Gondry I (vídeos para os The Chemical Brothers)

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Agora que a edição #23 do brand:new já foi para o ar (não se esqueçam que a mesma voltará a passar pelos écrans da MTV Portugal amanhã à 01h30, Sábado às 18h30 e Domingo à 01h00), já vos posso falar um pouco do clássico que abrilhantou a emissão: «Star Guitar» dos The Chemical Brothers. E tal como o fiz para Spike Jonze, vou aproveitar a deixa para inaugurar uma série de entradas sobre aquele que a equipa do brand:new consensualmente considera o maior realizador de vídeos musicais de todos os tempos: o grande e muito francês Michel Gondry. Apesar de ser provavelmente mais conhecido pelo público português pela sua grandiosa segunda longa-metragem, Eternal Sunshine Of The Spotless Mind, a verdade é que Gondry tem, nos últimos dezoito anos, vindo encantar o universo pop com a magia dos seus vídeos (mais de 70, no total). Para já deixo-vos apenas uma bela página dedicada ao realizador francês e dois streams para os vídeos que Gondry realizou para os The Chemical Brothers.


- «Let Forever Be» (1999) - é um dos vídeos mais famosos de Michel Gondry. O conceito consiste em transpor para a realidade uma série efeitos especiais audiovisuais muito utilizados na década de 80. É ver para crer.


- «Star Guitar» (2001) - o segundo vídeo que Gondry realizou para a dupla de DJs (e que passámos no último programa) é uma absoluta obra-prima de subtileza e de (aparente) simplicidade: um plano fixo virado para a janela de um comboio em andamento vai captando imagens de paisagens que vão desfilando de forma síncrona com a dinâmica da música. Uma obra-prima (disponível aqui em Quick Time).

julho 17, 2006

Nathanial Hornblower

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Aproveitando o facto do brand:new ter passado essa absoluta maravilha que é o vídeo que Spike Jonze realizou para o tema «Sabotage», gostaria agora de vos falar um pouco do realizador Nathanial Hornblower, cuja obra consiste «apenas» nos 18 vídeos exclusivamente produzidos para os Beastie Boys (não estranhem, pois «Nathanial Hornblower» nada mais é do que o pseudónimo cinematográfico de Adam Yauch, um dos membros do trio nova-iorquino). Ao longo dos últimos quinze anos, Adam foi o responsável por mais de metade dos vídeos da banda, conferindo-lhes uma coerência e uma identidade a todos os níveis assinalável e em que o humor e o non-sense têm sempre um lugar cativo. Deixo-vos de seguida uma selecção dos meus três vídeos favoritos do rapaz que, não por acaso, citam sempre grande clássicos do grande (e pequeno) écran.


- «Intergalactic» (1998) - um robô gigante trava uma luta de titãs com uma lula gigante com pinças de caranguejo nas ruas de Nova-Iorque. Uma espécie de Godzilla sob o efeito de alucinogénios.


- «Bodie Moving» (1998) - este vídeo, que aqui a ilustra a popular remistura de Fatboy Slim, é uma irresistível aventura (digna de um 007) que presta homenagem a um dos maiores clássicos do humor do cinema francês: o magnífico Fantomâs.


- «Ch-check It Out» (2004) - consegui encontrar neste vídeo referências a 6 séries / filmes de culto. Mas é bem capaz de haver mais. Deixo-vos o prazer da (re)descoberta.

julho 15, 2006

Floria Sigismondi

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Na última emissão do brand:new passámos Super Massive Black Hole (You Tube) o novo vídeo dos Muse, que regressaram este mês às edições com o magnífico Black Holes & Revelations. O teledisco é da autoria de Floria Sigismondi, sem dúvida um dos nomes mais marcantes da produção de vídeos musicais na década de noventa. Nos últimos doze, a realizadora e fotógrafa canadiana foi responsável por quase quatro dezenas de telediscos tão marcantes como «The Beautiful People» de Marilyn Manson (1996), «Makes Me Wanna Die» de Tricky (1997), «In My Secret Life» de Leonard Cohen (2002), «Untitled #1» dos Sigur Rós (2003) ou «Blue Orchid» dos White Stripes (2005), só para citar alguns. Sigismondi possui um estilo inconfundível, muito devedor da estética surrealista, que torna todos os seus vídeos imediatamente reconhecíveis, sobretudo no que diz respeito aos cenários, ao guarda-roupa e à fotografia que não raras vezes transportam os seus telediscos para universos muito próximos do gore. Para além disso, Sigismondi utiliza uma técnica de montagem particularmente interessante que consiste na remoção de frames em diversas sequências de imagens, provocando uma aceleração das mesmas e conferindo contornos mecânicos ao movimento das personagens. Felizmente, grande parte da sua obra videográfica encontra-se disponível e organizada na Internet, quer no seu site pessoal (Flash), quer na página da produtora Revolver Film (Quick Time). Deixo-vos ficar aqui um stream para um dos seus mais conseguidos trabalhos mas que, estranhamente, não se encontra disponível em nenhum dos desses sites: «Little Wonder» de David Bowie (1997).


julho 13, 2006

Spike Jonze II («Sabotage» dos Beastie Boys)

Agora que a o brand:new #22 já foi para o ar, já posso falar do vídeo clássico que abrilhantou a nossa emissão: nada mais nada menos do que (rufar de tambores) «Sabotage», a obra-prima absoluta dos Beastie Boys e de Spike Jonze e, sem sombra de dúvida, um dos telediscos com presença garantida em qualquer TOP 5 dos melhores vídeos musicais de todos os tempos. O vídeo pretende ser o genérico de uma suposta série de acção com perseguições pelas ruas de uma cidade, cercos, detectives a voarem por cima de prédios e carros, lutas com armas brancas, cenas de karaté, corpos a estatelarem-se de viadutos ou atirados de viaturas em andamento, interrogatórios, portas que são deitadas abaixo ao pontapé, explosões, sirenes, algemas, inter-comunicadores, binóculos, óculos de sol, donuts e muita coca. Tudo isto, claro está, filmado de uma forma irresistível e ao som de um dos temas mais emblemáticos da década de 90. Oh my, it's a mirage - I'm tellin' y'all - it's a Sabotage!!!

julho 10, 2006

Spike Jonze I (vídeos para Fatboy Slim)

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Continuando a desbravar a última emissão do brand:new, vou agora aproveitar o facto de lá termos passado That Old Pair of Jeans (Google video), o último teledisco de Fatboy Slim (da autoria de John Watts) para inaugurar uma série de entradas sobre um dos maiores realizadores de telediscos musicais de todos os tempos: o único e incomparável Spike Jonze. E nada melhor do que começar com os três vídeos que Jonze dirigiu para Norman Cook (antigo baixista dos Housemartins e hoje conhecido pelo cognome Fatboy Slim), na medida em que os mesmos constituem uma fabulosa porta de entrada para o universo do autor de Being John Malkovich e Adaptation. É curioso verificar que tanto o vídeo de «Praise You» como o de «Weapon of Choice» (o de «The Rockafeller Skank» não entra nestas contas por ser uma espécie de patchwork de «Praise You») são, basicamente, trabalhos coreográficos em que se pode ver corpos a dançar ao som dos temas, sendo esta, de resto, uma das marcas mais fortes da obra de Spike Jonze - ver igualmente o teledisco de It's Oh So Quiet (Quick Time) da Björk.


- «The Rockafeller Skank» (1998) - é um vídeo muito pouco conhecido aquele que marca a primeira colaboração (involuntária) entre Spike Jonze e Fatboy Slim. «Involuntária», porque o teledisco não foi encomendado por Norman Cook: Jonze produziu-o espontaneamente e enviou-o depois ao compositor britânico. Fatboy Slim nunca chegou a utilizá-lo porque, entretanto, a editora já tinha encomendado a Doug Aitken o vídeo oficial (You Tube) do tema. Esta pequena raridade (que nem sequer vem listada na videografia oficial do realizador norte-americano) tem um valor documental inestimável, na medida em que é nela que se pode encontrar a génese daquele que muitos consideram ser o melhor vídeo musical de todos os tempos. Uma nota importante: é o próprio Spike Jonze que dança o tema daquela forma fabulosa. Check iy out, now, funk soul brotha (ou sista).


- «Praise You» (1998) - Norman Cook ficara particularmente impressionado com o vídeo de «The Rockafeller Skank» que Jonze lhe tinha enviado e, alguns meses depois, não hesitou em encomendar-lhe o teledisco de «Praise You», pedindo-lhe expressamente para desenvolver a ideia original do primeiro vídeo. Spike Jonze resolveu então encarnar a personagem fictícia de Richard Koufey, supostamente o líder que uma companhia de dança urbana (também ela fictícia) denominada The Torrance Community Dance Group. O resto faz parte da história: com um custo de produção de apenas 800 dólares, o teledisco de «Praise You» tem sido considerado, em diversas votações, o melhor vídeo musical de todos os tempos e só nos MTV Music Video Awards de 1999, arrecadou três prémios nas categorias de realização, coreografia e inovação. Praise it like you should.


- «Weapon of Choice» (2001) - muito provavelmente o vídeo mais conhecido não apenas de Fatboy Slim mas de toda a obra de Spike Jonze, sobretudo pela subime performance de Christopher Walken. E, de facto, não haverá muito mais a dizer: basta ver e rever esta absoluta obra-prima que, em 2001, arrecadou seis prémios nos MTV Music Video Awards: melhor realização, coreografia, direcção artística, montagem, cinematografia e inovação. É o meu teledisco favorito de todos os tempos. Palavra de Huskey.

junho 23, 2006

Paul Gore

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Na última edição do brand:new, passámos o teledisco de Missing Links de Plan B (Windows Media Player), que é, sem dúvida, uma das maiores promessas da música britânica da actualidade (e isto apesar de ainda não ter ainda editado o seu primeiro longa-duração). O vídeo é da autoria de Paul Gore, um dos mais fascinantes realizadores britânicos da actualidade e igualmente um dos mais procurados pela indústria, sobretudo após ter vencido em 2002, o prémio CAD Vision Music Awards para Best New Director. Da sua lista de telediscos, contam-se trabalhos para projectos do calibre de New Order, DJ Shadow, Placebo, Snow Patrol, The Bravery e Patrick Wolf, entre outros. Actualmente ao serviço da Flynn Productions, Paul Gore, distingue-se sobretudo pela alta qualidade dos aspectos técnicos dos seus vídeos (fotografia, iluminação, movimentos das câmaras) e por neles quase sempre utilizar (e potencializar) a presença dos músicos. Deixo-vos de seguida, dois belos telediscos que penso exemplificarem de forma particularmente feliz os atributos do realizador britânico.

- «Forever More» (Moloko, 2003) - é o teledisco mais conhecido e, muito provavelmente, a obra-prima de Paul Gore. O conceito é simples e funcional e as coreografias tão magníficas que atiraram Roisin Murphy para o estatuto de sex-symbol. Será este o vídeo mais cool da história da pop? Se não é, anda lá muito perto.


- «False Flags» (Massive Attack, 2006) - depois de terem contratado Jonathan Glazer para o vídeo de Live With Me (Quick Time), a banda de Bristol entregou o do segundo single da sua colectânea a Paul Gore. O teledisco consiste numa impressionante sequência toda ela filmada em câmara lenta através de uma câmara de alta resolução, capaz de gravar 1200 frames a cores por segundo. O resultado é de tirar o fôlego a qualquer um.

junho 22, 2006

Alex & Martin

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Continuando a desbravar a última edição do brand:new, gostaria agora de falar um pouco de Woman (Real Player), o magnífico vídeo dos australianos Wolfmother, que, apesar da sua música fazer lembrar à força toda os Led Zep e os Black Sabbath, são dos nomes a ter em conta na produção roqueira deste ano (eu, pelo menos, sou fã). Este vídeo super-eléctrico, cujas imagens sofrem o efeito dos vincos do papel encerado usado pelas revistas, é da autoria de Alexandre Courtes e Martin Fougerol, uma dupla de realizadores franceses conhecidos no meio por Alex & Martin, que, desde 1998, têm coleccionado uma lista interminável de prémios graças aos magníficos telediscos que conceberam para gente como os Phoenix, Cassius, Éthienne Daho, Franz Ferdinand e Jamiroquai. O que caracteriza o trabalho dessa dupla (ao serviço da produtora norte-americana Partizan, de que também faz parte a nossa conhecida Nagi Noda) é sem dúvida a forma inteligente como utilizam os efeitos especiais para criar situações eminentemente gráficas e inesquecíveis nos seus vídeos. Por exemplo, penso que não haverá nenhum leitor deste blogue canino que não tenha visto e adorado pelo menos um dos dois telediscos que deixo aqui de seguida:

- «Seven Nation Army» (The White Stripes, 2003) - é um dos vídeos mais admiráveis dos últimos anos, uma mise-en-âbime digna do melhor Michel Gondry. Foi nomeado para os MTV Video Music Awards em 2004.


- «Vertigo» (U2, 2004) - é apenas a minha opinião (para mais canina), mas penso que grande parte do sucesso deste tema se deve ao magnífico vídeo da dupla francesa. Venceu o Grammy para «Melhor Vídeo» em 2005.

junho 20, 2006

Marc Webb (DNA)

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Na última edição do brand:new, passámos Youth (Quick Time), o último vídeo de Matisyahu, que contém algumas cenas gravadas no CBGB, o lendário bar nova-iorquino que viu nascer o punk-rock americano e onde bandas como os Ramones, Blondie e Talking Heads deram os seus primeiros concertos. O teledisco é da autoria de Marc Webb, um realizador norte-americano que, desde 2000, já dirigiu mais de meia-centena de vídeos para bandas do mainstream musical como os Green Day, Live, Maroon 5, Counting Crows, Snow Patrol, Hot Hot Heat e Hoobastank. Marc Webb trabalha há já alguns anos para uma das maiores produtoras de Los Angeles, a DNA (David Naylor & Associates), um verdadeiro «monstro» que possui uma equipa com mais de 20 realizadores que criou campanhas publicitárias para marcas como a Pepsi, The Gap, Target e Marshall Fields e teledicos para super-estrelas como a Gwen Stefani, Alicia Keys ou Justin Timberlake. Recentemente, Marc Webb venceu o muito prestigiado prémio de Melhor Realizador na edição deste ano dos MVPAs (Music Video Production Company), graças aos vídeos de «Helena» para os My Chemical Romance, «Move Along» para os All-American Rejects e «Perfect Situation» para os Weezer. Apesar de não ser um verdadeiro esteta, Marc Webb é, a par de Samuel Bayer, um dos realizadores mais influentes na definição da imagética do punk-rock norte-americano e o seu trabalho consegue, muitas vezes, resgatar do esquecimento temas de gosto musical muito duvidoso (to say the least). Os oito vídeos mais recentes de Marc Webb podem ser vistos aqui (Flash).

junho 13, 2006

Rachel Reupke

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Na última edição do brand:new, passámos «Diva Lady», o novíssimo single dos The Divine Comedy, cujo teledisco (Real Player) consiste numa montagem hilariante da cara de Neil Hanon (e de uma jovem que não consegui identificar) sobre fotografias muito pirosas que, de certa forma, veiculam um ideal de luxo e glamour muito seventies (a sério: kitsch mais kitsch não há). O vídeo é da autoria de Rachel Reupke, uma jovem realizadora alemã da Factory Films (a produtora a que pertence igualmente o nosso conhecido Wiz), que, há cerca de um ano, iniciou a sua aventura artística no universo dos vídeos musicais. A obra de Rachel Reupke obedece a um regra muito curiosa que é a colagem de imagens animadas sobre fundos estáticos altamente estilizados. Apesar de apenas ter dirigido 4 telediscos, a realizadora alemã já é considerada um dos mais promissores talentos da sua geração. A totalidade do seu trabalho na área dos vídeos musicais pode ser vista aqui (Quick Time) - chamo especialmente vossa atenção para o teledisco de «Girls In The Back» dos White Rose Movement, que fazem parte do (para variar) magnífico cartaz da edição deste ano do Festival de Paredes de Coura.

junho 07, 2006

Adam Bizanski

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Resolvi deixar a casota e vir até aqui apenas para vos remeter para a página de Adam Bizanski no site da Joyrider Films, ele que é o realizador do belíssimo vídeo de «Modern World» dos Wolf Parade (mais uma banda canadiana, eu sei), que passámos na última edição do brand:new. Poderão lá ver (em Quick Time) as maravilhas que ainda se podem fazer com a técnica de animação stop-motion. Imperdível.

junho 06, 2006

Up The Resolution

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Na última edição do brand:new, viajámos até 2004 para mostrar um vídeo que, na altura, passou relativamente despercebido, mas que, à luz de 2006, possui um interesse desmedido: «What U Sittin' On» de Danger Mouse & Jemini ficará para sempre na história como o tema em que, pela primeira vez, colaboram Cee-Loo e Danger Mouse, a actual dupla dos Gnarls Barclay. A magnífica animação (Quick Time) que serve de teledisco ao tema é da autoria da Up The Resolution, uma produtora do Reino Unido que tem criado alguns vídeos musicais absolutamente deslumbrantes, para artistas tão variados como Devendra Banhart, Protocol, Hymie's Basement ou The Automatic. Todos esse vídeos (e ainda mais mais) estão disponíveis na página da produtora. A única excepção vai para o último teledisco, referente a Sound Mirrors (Quick Time), o tema que dá o título ao novo álbum dos Coldcut. É um belíssimo vídeo abstracto (na minha opinião, o registo em que a Up The Resolution realmente se destaca dos demais), que retrata de uma forma muito original a evolução de um ser subaquático. Uma verdadeira obra-prima.

junho 03, 2006

Roman Coppola

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Na última edição do brand:new, tivemos a honra de passar Long Distance Call (Real Player) dos Phoenix, sem dúvida uma das grandes canções deste Verão, cujo enigmático vídeo é da autoria de (rufar de tambores) Roman Coppola. Se no mundo da sétima arte (e apesar das virtudes de CQ, a sua inebriante longa-metragem retro-futurista), o rapaz fica atrás do pai Francis e da irmã Sophia, no universo da pop as coisas mudam de figura, ou não fosse ele um dos mais prolíferos, inovadores e geniais realizadores de telediscos dos últimos vinte anos, cujo nome bem pode ser colocado ao ladinho dos de Spike Jonze, Michel Gondry ou Chris Cunningham. Se tivesse que encontrar um denominador comum na obra de Roman Coppola, diria que é a forma sempre surpreendente como ele interpreta o imaginário das canções para as quais ele cria os seus vídeos musicais, sendo impossível não reparar, em qualquer um dos mais de quarenta telediscos que dirigiu, na presença de um grande melómano por detrás das câmaras. Poucos realizadores se podem gabar do mesmo.

Para terminar, não resisto a deixar-vos aqueles que são, provavelmente, os meus quatro vídeos favoritos de Roman Coppola. Mas o ideal é mesmo descobrirem a obra na sua totalidade.

- «Peaches» (The Presidents Of The United States Of America, 1995) - é, a par de Cannonball (Real Player) das Breeders / Spike Jonze, o melhor vídeo indie da história da música pop. Não se está mesmo a ver que qualquer música sobre pêssegos tem de meter ninjas?


- «Gangster Trippin'» (Fatboy Slim, 1998) - há um prazer absolutamente primitivo que ecoa no meu ser canino cada vez que vejo este teledisco. Não se está mesmo a ver que objectos como uma sanita, um frigorífico, um PC, uma mesinha de maquilhagem ou uma estante com livros foram apenas feitos para serem mandados pelos ares e filmados em câmara lenta?


- «Revolution 909» (Daft Punk, 1998) - não se está mesmo a ver que a melhor forma de ilustrar, do ponto de vista filosófico, os conceitos de «causa» e «efeito» é através da mancha encarnada da T-Shirt de um polícia numa rusga a adolescentes ao som da música dos Daft Punk?


- «12:51» (The Strokes, 2003) - não se está mesmo a ver que a música dos Strokes brilha como nunca quando confrontada com imagens da banda inspiradas nesse magnífico filme de culto, precursor de Matrix e quejandos, que é Tron?

maio 26, 2006

Matt Lenski

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Na última edição do brand:new, passámos igualmente Throw It All Away (Real Player), o magnífico novo vídeo dos Zero 7, que aborda, com uma rara agudeza e sentido de humor, o quão arbitrários e efémeros podem ser a fama e o sucesso artístico. Essa verdadeira «fotonovela» é da autoria de Matt Lenski que, curiosamente, trabalhou para a MTV como Director do Departamento de Promos On-Air em Nova Iorque, tendo tido a oportunidade de trabalhar para artistas como a Bjork, Busta Rhymes e Coldplay. O ano passado, Matt Lenski aventurou-se no universo dos vídeos musicais, tendo já criado uma série de telediscos que demonstram um jovem realizador invulgarmente versátil à procura do seu próprio estilo, criando um leque muito heterogéneo de vídeos. Deixo-vos de seguida, uma selecção de três vídeos que são particularmente exemplificativos do seu work in progress (digam lá se não custa a acreditar que foi a mesma pessoa que os dirigiu):

- Sugar We're Going Down (Windows Media Player) (Fall Out Boy, 2005) - apesar das aparições dispensáveis da banda, esse primeiro teledisco de Matt Lenski já era bem representativo do seu sentido de humor e parecia indicar o surgimento de um realizador com um forte pendor narrativo. O tempo viria a provar que não.

- Publish My Love (Quick Time) (Rogue Wave, 2006) - desta vez, Matt Lenski opta (e bem) por um vídeo eminentemente gráfico, nas antípodas do seu primeiro trabalho. Este teledisco tem uma história curiosa, na medida em que é um remake do vídeo originalmente realizado. As alterações foram sugeridas pelos advogados da editora que não queriam pagar os direitos de autor relativos aos inúmeros conteúdos livrescos que surgiam na versão original. Vale bem a pena verem a director's cut (Quick Time) e comparar.

- Para terminar, deixo aqui «Having Fun» (2006) dos The Giraffes (chamo a vossa atenção para a banda, que tem um novo disco homónimo que é uma bomba). Novamente, o vídeo surpreende pelo facto de ser totalmente diferente dos anteriores. É um teledisco absolutamente artesanal e underground, com um orçamento de zero dólares, e que consiste apenas num plano fixo. Parece simples, mas (que eu saiba) ninguém se lembrou de fazer isso antes. E o final é surpreendente.

maio 24, 2006

Traktor

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Continuando a farejar a última emissão do brand:new, gostaria agora de pegar em «The Yeah Yeah Yeah Song», o mais recente vídeo dos Flaming Lips e o primeiro a ser retirado de At War With The Mystics, o novo (e muito recomendável) álbum da banda. O teledisco é da autoria da Traktor, um grupo de realizadores escandinavos radicados nos Estados Unidos, que nos últimos oito anos já recebeu cerca de duas centenas de prémios pelos quatrocentos spots publicitários (o que dá a bela média de 1 vídeo galardoado em cada 2) que produziram para marcas como a Nike, a Levi's, a Diesel, a Smirnoff e a própria MTV. Quanto a vídeos musicais, o currículo do colectivo é mais reduzido, mas não menos impressionante, tendo criado quase uma dezena de telediscos, todos de grande qualidade. Deixo de seguida uma selecção dos meus 3 vídeos favoritos desses talentosos rapazes (todos em Quick Time):

- Ya Mamma (Fatboy Slim, 2001) - esta pérola de humor é o primeiro e mais famoso teledisco da Traktor, cuja inspiração remonta a um anúncio que produziram para a Miller Lite em 1999. O vídeo venceu o prémio para melhor vídeo do ano nos MVPA de 2002 e foi ainda nomeado para os prémios D&AD.

- Where's Your Head At (Basement Jaxx, 2001) - segue a mesma linha de humor surreal do vídeo anterior e é o teledisco mais premiado do colectivo: vencedor dos prémios para melhor realização e melhor vídeo de música electrónica nos MVPA de 2002, tendo sido ainda nomeado para os prémios D&AD. Tem sido um dos vídeos musicais mais «copiados» dos últimos anos: ver por exemplo o caso de Word Up dos Korn, realizado por Antti Jokinen .

- Die Another Day (Madonna, 2002) - sem dúvida o melhor vídeo musical alguma vez feito para um tema do James Bond e um dos melhores da carreira da Madonna. Venceu o prémio de melhor vídeo musical para uma banda sonora nos MVPA de 2003 e ainda foi nomeado para os Grammy e os MTV Music Video Awards.

Quanto aos spots publicitários, não resisto a destacar três pequenas obras-primas (também em Quick Time):

- Turkey (Fox Sports, 2000) - deve ser um dos spots publicitários mais difundidos pela Internet, mas que, infelizmente, nunca surge relacionado com a Traktor (ou sequer com a Fox Sports). Ganhou a medalha de ouro do Midsummer Awards em 2000.

- Angry Chicken (Nike, 2002) - é o meu spot publicitário favorito da Traktor e talvez o que melhor representa a essência do colectivo escandinavo pela forma sublime como utiliza o absurdo. Recebeu o galardão máximo dos Andy, o grande prémio de copywriting nos AICP, a medalha de ouro em Cannes, a de prata nos Clio, no Art Director's Club de Nova Iorque e no One Show, e ainda foi nomeado para os Emmy, tudo isto no ano de 2003.

- There's No Bad Dancing (Bacardi, 2004) - um subtilíssimo spot publicitário que foi encomendado à Traktor na sequência das novas regras impostas pelo Committee of Advertising Practice (CAP) do Reino Unido, que proíbem qualquer referência sexual nos anúncios a bebidas alcoólicas. A solução encontrada não apenas cumpre os requisitos como, coisa rara neste tipo de anúncio, nem sequer recorre a imagens de pessoas a consumir bebidas alcoólicas (e funciona lindamente). Recebeu a medalha de prata em Cannes e uma menção honrosa nos British Television Advertising Awards, ambos em 2005.

Para terminar, deixo-vos igualmente as três partes de um divertidíssimo making of (Windows Media Player) de The Yeah Yeah Yeah Song dos Flaming Lips. Ufa!

maio 18, 2006

Wiz (Weekender)

Na última edição do brand:new, e no preciso dia em que a banda veio tocar ao Paradise Garage, passamos «View From The Afternoon», o novíssimo vídeo dos Arctic Monkeys da autoria de Wiz, um dos mais prestigiados realizadores britânicos de telediscos que, nos últimos 15 anos, se pode gabar de ter dirigido dezenas de vídeos reconhecíveis pelo grande público para bandas como os Happy Mondays («Stinkin Thinkin»), Manic Street Preachers («If You Tolerate This, Then Your Children Will Be Next»), Massive Attack («Inertia Creeps»), Marilyn Mason («Fight Song»), Smashing Pumpinks («Stand Inside Your Love»), Chemical Brothers («Out of Control»), Black Rebel Motorcycle Club («Whatever Happened To My Rock'n'Roll?») ou Kasabian («Club Foot»), só para citar os mais ilustres. No entanto, não é por nenhum desses vídeos que o nome de Wiz ficará para sempre gravado nos anais da pop, mas sim pela curta-metragem de culto que ele realizou em 1992 para esse autêntico meteorito da música britânica que foram os Flower Up. Por muitos considerado um dos pontos mais altos da história do vídeo musical, os 18 minutos (sim: dezoito) de Weekender constituem a mais assombrosa representação do hedonismo pills 'n' thrills da cultura rave da década de 90. Volto a repetir a data: 1992. Dois anos antes de Trainspotting de Danny Boyle ter invadido as salas de cinema.

maio 17, 2006

Garth Jennings

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Olá, sou eu, a Fiona, desta vez um bocado eléctrica, porque vou ter a oportunidade de vos falar do meu realizador favorito de vídeos musicais: o grande e incomparável Garth Jennings. Na última edição do brand:new, passámos o último teledisco da sua autoria: «Boy From School» dos não menos recomendáveis Hot Chip - a propósito, podem ver aqui (Windows Media Player) uma versão alternativa da que mostrámos no programa (ambas são excelentes). Para além de ter realizado a delirante adaptação cinematográfica de The Hitchhiker's Guide To The Galaxy de Douglas Adams, Garth Jennings tem sido responsável nos últimos quinze anos por dezenas de telediscos absolutamente geniais, caso de «Helped The Aged» dos Pulp (1998), «Last Stop: This Town» dos Eels (1998), «Right Here, Right Now» de Fatboy Slim (1998), «Imitation of Life» dos REM, «Low C» dos Supergrass (2005) ou «Hell Yes» de Beck (2005), só para referir alguns. Nos seus vídeos musicais é sempre dada uma assinalável importância à estrutura narrativa (ele adora contar histórias) e o seu sentido de humor, very british, é uma das marcas inconfundíveis de todo o trabalho da sua produtora Hammer & Tongs. Deixo-vos de seguida, os meus dois vídeos favoritos deste singular realizador britânico:

- «Coffee & TV» dos Blur (1999) - um clássico absoluto e um dos vídeos mais vistos e comentados da história da pop. Revê-lo hoje é uma experiência ainda mais fascinante, se tivermos em conta que o teledisco é quase uma premonição da saída de Graham Coxon da banda.


- «Silent Sigh» de Badly Drawn Boy (2002) - é o meu vídeo favorito, porque está lá tudo aquilo que torna Garth Jennings distinto dos outros realizadores: a estrutura narrativa (muito bem sacada, se tivermos em conta que o teledisco foi uma encomenda para promover o filme About A Boy e a respectiva banda sonora), a fixação pelo imaginário retro-futurista e depois, que diabo, ainda consegue ser dos vídeos mais comoventes de todos os tempos (podem descontar aí a minha sensibilidade canina). Uma maravilha.

Jonas Akerlund

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Na última edição do brand:new (como devem imaginar é a Fiona que está a escrever isto), passámos «Country Girl», o mais recente vídeo dos grandes e incomparáveis Primal Scream, da autoria de Jonas Akerlund. O realizador sueco é um dos nomes incontornáveis da história recente da arte de fazer vídeos musicais: ao todo, realizou mais de meia-centena de telediscos para bandas e artistas tão diversos como os Rolling Stones («Rain Fall Down»), Metallica («Turn The Page» e «Whiskey In The Jar»), Smashing Pumpkins («The Everlasting Gaze» e «Try, Try, Try»), U2 («Beautiful Day»), Jamiroquai («Canned Heat») ou Robbie Williams («Come Undone»). Para além disso, também faz parte do seu currículo a longa-metragem Spun de 2003, uma verdeira tripe visual que cobre 72 horas da vida de um viciado em anfetaminas (vale a pena dar uma espreitadela ao divertido site oficial). Apesar de não ser uma fã de Jonas Akerlund, que por vezes faz da polémica o seu único objectivo artístico (basta ver o recente e inócuo «Mann Gegen Mann» dos Rammstein), a verdade é que se deve a ele alguns vídeos brilhantes como o de «Ray Of Ligtht» da Madonna (o mais premiado da sua carreira) ou o mítico «Smatch My Bitch Up» dos Prodigy. De resto, é bastante evidente as similitudes entre esse último vídeo e o dos Primal Scream: temos em ambos o álcool, as drogas, o sexo e os apontamentos escatológicos a gravitar em torno de uma figura feminina. No caso de «Country Girl», são paradoxalmente as aparições de Bobby Gillespie que acabam por tornar o teledisco interessante (e a música, claro). Deixo de seguida o vídeo dos Prodigy para poderem comparar (a versão não censurada do dos Primal Scream pode ser vista aqui em Quick Time).

maio 12, 2006

Akiva Schiffer

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A Skin (para variar) tirou a tarde para dormir uma soneca e eu vou aproveitar para vos falar um pouco de Akiva Schiffer, o autor de «Nobody Move, Nobody Get Hurt», o magnífico vídeo dos We Are Scientist, que passámos na última edição do brand:new. A primeira coisa a dizer sobre o realizador norte-americano é o facto de ele poder ser visto quase como o quarto membro do trio nova-iorquino. Não apenas produziu três vídeos para os We Are Scientist, como a banda não hesitou em regravar a primeiro versão do teledisco de «The Great Escape» da autoria de Mathieu Shrontz, para que a totalidade dos seus vídeos musicais tivessem a sua assinatura. Apesar de Akiva Schiffer ser mais conhecido como argumentista (faz parte da equipa que actualmente escreve o Saturday Night Live), os três vídeos que dirigiu para a banda são autênticas pérolas de humor, que apostam de forma quase inverosímil no non-sense. Apenas um conselho: tentem ver os três telediscos pela sua ordem cronológica, na medida em que, por exemplo, o vídeo de «It's A Hit» é a perfeita negação (em termos de movimento e acção) do de «Nobody Move, Nobody Get Hurt». Preparem-se para as dores de barriga.

- The Great Escape (Real Player)
- Nobody Move, Nobody Get Hurt (Real Player)
- It's a Hit (Windows Media Player)

Podem igualmente ver aqui (Quick Time), o quarto teledisco da curta (mas brilhante) videografia de Akiva Schiffer, relativo a «I Want You So Heart» dos Eagles Of Death Metal, mais um projecto de Josh Homme dos Queens Of The Stone Age.

Para terminar, deixo-vos aqui um presente: uma gravação da recente actuação ao vivo dos We Are Scients no David Letterman Show. A energia de «Nobody Move, Nobody Get Hurt» é verdadeiramente contagiante.

maio 10, 2006

Martin de Thurah

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A Skin (para variar) está a dormir e, por isso, vou aproveitar este momento de sossego para vos falar um pouco de Martin de Thurah, o autor do vídeo dos Royksoop que passamos na última edição do brand:new. Martin de Thurah é um jovem e já consagrado realizador dinamarquês, em cujo trabalho é bem visível a presença do seu imaginário escandinavo (fúria dos elementos, predominância da noite, sublimação do corpo humano, etc.). Os seus vídeos musicais movem-se sempre dentro de um espaço onírico e, tecnicamente, é sempre dada uma grande atenção à fotografia e a iluminação. Para além disso, não existará actualmente nenhum realizador de telediscos que filme de forma tão assombrosa o rosto humano, recorrendo a grandes planos que, de imediato (e salvas as devidas distâncias), nos remetem para a filmografia de Carl Dreyer, um dos grandes mestres do cinema europeu. No site da produtora Academy Films, é possível visualizar seis telediscos recentes de Martin de Thurah - são todos bons, embora não possa deixar de destacar, para além do já referido «What Else Is There?», o de «Bullets» dos Editors (que fará sorrir qualquer fã de Hal Hartley) e os dois que dirigiu para os Carpark North (cuidadinho com essa banda dinamarquesa). O relativo a «Human», de resto, merece uma menção especial, na medida em que, para além de ter ganho o galardão para melhor teledisco dos Prémios Musicais da Dinamarca), é muito provavelmente a obra-prima do realizador (o elenco é todo formado por crianças que são bailarinos profissonais):

Finalmente, vale igualmente a pena dar uma espreitadela ao seu mais recente trabalho, relativo a Séance (Quick Time) de Lise W, um belíssimo vídeo repleto de grandes planos (ora aqui está o Carl Dreyer novamente) da pele humana e que parece estar constantemente na iminência de descambar para o gore. Mas não descamba.

maio 06, 2006

Jonnie Ross

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A última edição do brand:new está a dar pano para mangas. É que, para além de Daniel Levi, mostrámos igualmente o último vídeo de Jonnie Ross, relativo a «The Blues Are Still Blue» dos Belle & Sebastian. Se eu tivesse de eleger, dentro dos meus conhecimentos caninos, o realizador de vídeos musicais mais promissor da actualidade, Jonnie Ross seria, sem dúvida, a minha primeira opção. A sua obra, para além de denotar sempre um sentido de humor e uma imaginação assinaláveis, é sobretudo conhecida pelo perfeccionismo da sua realização, sendo bastante comum ele perder meses em estúdio para conseguir apurar todos os detalhes do seus filmes. Jonnie Ross estreiou-se na arte dos teledicos da melhor maneira com o teledisco de «Dangerous Disease» dos Blood of Abraham (2002), que arrecadou uma avalanche de prémios no New York Underground Film Festival e no London Antenna Festival. Depois disso, ele foi o responsável de vídeos de culto como «Strangest Thing» dos Freeform Five (2004) e «Cough Coughing» dos Menomena (2005), dois vídeos absolutamente hilariantes (caso não conhecem a música dos Menomena, estejam preparados para levarem dois estalos). Destaque ainda para os dois anúncios que Jonnie Ross produziu para a Panasonic e para uma belíssima curta metragem intitulada The Yearbook. Recentemente, circulam boatos que ele poderá, dentro em breve, iniciar a pré-produção de uma longa metragem (o que me deixa totalmente pavloviana). Tudo isto, e ainda mais, está disponível em Quick Time no site da produtora Smuggler. A sério: vale mesmo a pena irem lá dar uma espreitadela.

maio 05, 2006

Daniel Levi

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Na última edição do brand:new, mostramos o mais recente vídeo de Plan B, «No Good», uma belíssima animação stop motion da autoria de Daniel Levi. Apesar do realizador sul-africano ser um admirável discípulo do grande Chris Cunningham (ambos chegaram, inc