Tegan & Sara: «Call It Off»

Saudosismos à parte, ora aí está um vídeo que seria impossível de se fazer com telemóveis ou com telefones sem fios.
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Saudosismos à parte, ora aí está um vídeo que seria impossível de se fazer com telemóveis ou com telefones sem fios.
Toda a gente sabe que não há nada que o canil goste mais do que um belo vídeo conceptual. Este foi realizado por Mark Klasfeld e é assim, como quem não quer a coisa, um dos objectos audiovisuais mais belos que vimos nos últimos tempos. Não coloquei imagens do vídeo já de propósito para não estragar a surpresa. Brilhante.

O vencedor na categoria de Melhor Animação do Vimus 2008 foi a subtil manta de retalhos filmados por 9 câmaras de «Mostro O Meu Monstro Mau». É um daqueles casos felizes em que uma boa ideia se adequa na perfeição à letra da música. Prémio merecidíssimo. Parabéns caninos ao Jerónimo Rocha, à Joana Faria e ao Nico Guedes.

Pode ser difícil de acreditar, mas o nosso canil não é magnânimo nas suas escolhas. Apenas de no último ano terem passado no nosso programa 13 dos 15 vídeos premiados no VIMUS 2008, a verdade é que as duas lacunas são particularmente gravosas para o nosso ego. Não apenas porque são vídeos portugueses, mas porque são GRANDES vídeos portugueses. Chegou, por isso, o momento de agradecer à malta do Vimus os critérios da selecção da sua competição nacional e de darmos um justíssimo destaque a esses dois objectos valiosos. Vamos a isso.
O primeiro vídeo foi a grande sensação do VIMUS: «Model FC 840» dos Bildmeister, realizado por João Rei Lima. Para além de ser um magnífico exemplo de como as imagens (e a sua edição) podem servir para amplificar as qualidades sonoras (neste caso, sónicas) de um tema, é uma excelente demonstração de um exercício artístico que não está disposto a fazer quaisquer concessões perante o efeito hipnótico que cria no espectador. Houve quem ficasse chocado com o facto de ter ganho o grande prémio da competição nacional - o que é, obviamente, um óptimo sinal. O canil adorou.
O segundo vídeo é «First» dos Sizo, realizado por André Tentugal. É um clipe minimalista e conceptual: utilizar as silhuetas dos músicos (sem instrumentos) para criar algo de sinceramente inovador no subgénero do vídeo performativo. É incrível como ninguém se tinha lembrado disto antes. As melhores ideias são sempre assim: simultaneamente óbvias e inesperadas.
Eh pá! Vocês são mesmo feios!
Olá a todos. Chamo-me Fred e serei o anfitrião deste blogue ao longo das próximas três semanas. Hoje, às 21h30, e amanhã, à mesma hora, iremos dedicar o regresso do brand:new ao estúdio aos vencedores da edição deste ano do ViMus. Tudo vídeos premiados e caninamente aprovados. A não perder. Entretanto, se houver por aí alguém com bom-gosto que me queira adoptar, já sabem que basta enviar um simples e-mail.

Já se sabe que os Hot Chip são uma das fixações deste canil: não apenas pelas músicas, mas sobretudo pelos vídeos, onde os rapazes não costumam brincar em serviço. E mesmo quando brincam, caso deste contagiante «Wrestlers», fazem-no com muita pinta. Um clipe patusco para um tema patusco. E com um cameo (patusco) do grande James Murphy dos LCD Soundsystem.

Como já sabem, fruto de terem sido os vencedores do Prémio MTV Brand:New, os Terrakota vão ser os nosso próximos convidados do nosso Arraiolos. Pois bem, a pedido de inúmeras famílias, vamos dar a oportunidade a dois leitores do blogue de assistir ao vivo à gravação desse Brand:New Tapete no próximo dia 6 de Outubro (algures nos arredores de Lisboa). Como extra, ainda levam com o último disco dos Terrakota assinado pelos elementos da banda.
Para isso, basta responderem à seguinte pergunta: O single «É verdade» conta com a participação de dois grandes MCs Angolanos: Conductor e Ikonoklasta. Qual é o nome da banda de que ambos fazem parte? (Dica: a resposta não é Buraka Som Sistema).
Enviem a resposta com vosso nome, n.º de BI e contacto telefónico para mtvbrandnewarrobagmailpontocom. Os dois primeiros a responderem correctamente à pergunta, ganham a presença naquele que promete ser um dos Arraiolos mais loucos da história deste canil.

Poderão depois verificar a fidelidade dos rabiscos quando publicar esta semana fotografias deste valentíssimo anfitrião.

Aqui está o projecto tuga a acompanhar com muito atenção em 2008. Os Peixe:Avião são de Braga e são formados por André Covas (guitarras e sintetizador), Luís Fernandes (guitarras e electrónica), Pedro Oliveira (bateria e percussão), Ronaldo Fonseca (voz e sintetizador) e Zé Figueiredo (baixo e mellotron). São indie até ao tutano e cantam em Português letras que ficaram de imediato no ouvido do canil. O disco de estreia, intitulado 40:02, saiu a semana passada pela Rastilho Records, e o clipe do single «A espera é um arame» é um muito conseguido exercício low-fi que nos fez de imediato lembrar, pela exiguidade do espaço, esta pequena obra-prima. Grande som.

Foi uma longa espera de 5 anos, mas valeu a pena: DEATH MAGNETIC, o novo álbum dos Metallica sai no próximo dia 12 de Setembro (data cheia de simbolismo) e traz como cartão de visita o épico «The Day That Never Comes», cujo vídeo foi sublimemente filmado numa paisagem que retrata os mais recentes e polémicos cenários da suposta guerra contra o terror da Administração Bush. AVISO: inclui um solo estupidamente viciante de Kirk Hammett.

Olá a todos. Chamo-me Mia e serei a anfitriã deste blogue ao longo desta semana. Tanto hoje, às 21h30, como amanhã à mesma hora, na MTV Portugal, iremos ter dois programas muito especiais dedicados ao Vimus 2008. Mas há mais: deixamos pela primeira vez o nosso canil e fomos até à Povoa de Varzim com o Arraiolos às costas. Estejam igualmente atentos ao blogue, onde iremos ter entrevistas, vídeos catitas e coisas boas de se roer. Hasta!

Eles já tinham tido um dos nossos vídeos favoritos da competição internavional na 1.ª edição do ViMus em 2007 e agora voltam à carga com este originalíssimo «Knickerbocker». Não é fácil decorar o nome da banda, mas já vale a pena estar atento a este trio (pois é, o nome engana) em 2008.

Não abundam por aí vídeos musicais ao vivo de qualidade. Daí que o canil não tenha hesitado quando lhe veio parar às patas este fulgurante (copipeiste): «Inni Mer Syngur Vitleysingur». Façam o favor de discordar.

Este clipe dos The Sea And Cake, realizado por Lung, foi um dos objectos audiovisuais mais estranhos e belos que passaram pela competição internacional do VIMUS 2008. Não ganhou nada, é verdade, mas o canil ficou boqueaberto com a sua subtileza e originalidade. Vejam com MUITA atenção. E digam-me lá o que acham.
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Borrow a videocamera from a friend
Não é fácil sobrestimar a importância do vídeo de Feeling Alive (Gomo, 2004) na história do videoclipe em Portugal. Recordo pessoalmente esse surgimento: de repente, vindo do nada, caía do céu um objecto que conseguia despertar a minha curiosidade, não apenas para com um músico que me era desconhecido como para com quem teria estado por detrás da realização do vídeo. Quando, a determinada altura («...até chegares ao fim dessa rua, que é uma rotundazinha...»), percebi que se tratava de uma produção nacional, essa contextualização do clipe realizado por Rui de Brito alimentou ainda mais o meu fascínio. Para além de estar na presença de um metavídeo que orbitava em torno da sua própria concepção (género manifestamente arrojado e bissexto em Portugal), o clipe de Feeling Alive representava não apenas uma absoluta negação do discurso que ainda hoje é o da maioria dos realizadores nacionais (o lamento pela falta de meios), como demonstrava com fina ironia que essa escassez de recursos poderia ser utilizada como um trunfo muito eficaz na concepção de um vídeo musical: pá, se não tens uma câmara de filmar, não há nada como pedi-la emprestada a um amigo. Assim, não estamos perante um mero do it yourself, mas um do it yourself about doing it yourself. De resto, era essa mesma concepção do vídeo que fazia de Gomo um semblable, um reflexo especular, um duplo, do próprio realizador. Arrisco aqui, sem rede, uma primeira metáfora (e não é por acaso que ela é cinematográfica): na sua videografia, Paulo Gouveia é para Rui de Brito aquilo que Jean-Pierre Léaud foi para Truffaut. E Gomo é, como não podia deixar de ser, o seu Antoine Doinel.
Find a nice location
Sempre sem rede: Rui de Brito é o realizador português de videoclipes com uma noção mais aguda de obra, legitimando assim o seu estatuto de autor. A sua videografia constitui um projecto audiovisual autêntico, uno e coerente, com princípio, meio e fim, onde cada clipe funciona como parte integrante de um todo orgânico, cujos elementos estabelecem entre si um permanente diálogo na construção de uma visão autoral das possibilidades criativas e conceptuais que representam um videoclipe. O primeiro e mais visível indício dessa configuração canónica do trabalho de Rui de Brito está na definição do espaço. Para ele, a nice location corresponde a um local interior, fechado e não raras vezes subterrâneo (não será por acaso que a sua produtora se chama SubFilmes). É como se a câmara de Rui de Brito sofresse de uma manifesta agorafobia, cujos sintomas são desde logo evidentes nas primeiras imagens do seu vídeo de estreia, onde um travelling faz deslizar o nosso olhar para o interior de uma casa (Rollercoaster, Austin, 2001). Os exemplos dessa configuração claustrofóbica do espaço sucedem-se em catadupa: ele é quartos (Feeling Alive e I Wonder, Gomo, 2005), corredores (Rollercoaster), escadas de emergência (Poetas de Karaoke, Sam The Kid, 2006), parques de estacionamento subterrâneos (Poetas de Karaoke; Hip Hop, Boss AC, 2005; e ainda os pivots do programa Pop Up, RTP2, 2004-2005), asilos (Shine On, Blind Zero, 2005) e outros espaços hermeticamente isolados como estúdios de gravação (Luz Vaga, Mesa, 2004) ou estúdios de rádio e de televisão (Poetas de Karaoke). Mesmo os raros espaços exteriores que surgem na obra de Rui de Brito remetem sempre para ambientes disfóricos e marginais que de certa forma legitimam essa agorafobia estética, caso da Nova-Iorque soturna e pós-11 de Setembro de My Explanation (EZ Special, 2005), que volta a ser subtilmente sugerida na fuligem que cai de um céu carregado de finitude em Que Deus? (Boss AC, 2007), ou do cemitério em Funeral (spot publicitário para a União Zoófila, 2006). No entanto, é naquela que considero ser a sua obra-prima (Quem Me Leva Os Meus Fantasmas?, Pedro Abrunhosa, 2007) que essa configuração atinge o zénite: quem melhor do que os sem-abrigo, que procuram incessantemente o limiar dos espaços interiores como refúgio, para transmitir essa ânsia por paredes, chãos e tectos?
Get a CD player for the playback and turn always down your mobile phone
Lembrete: um videoclipe é sempre um objecto artístico de 2.º grau que tem de incorporar na sua tessitura, nem que seja através da montagem de imagens não filmadas especificamente para esse fito, um outro objecto artístico preexistente (falo aqui de videoclipe no sentido restrito da palavra – o mesmo não se aplica, obviamente, à videoarte). Esta tensão entre imagens e som é um dos capítulos mais fascinantes da história do género e possui uma vasta tipologia que vai da total subordinação ao mais despurado alheamento (como é óbvio, não existe qualquer correspondência directa entre essa escala e a qualidade estética de um videoclipe). A videografia de Rui de Brito constitui um autêntico catálogo dessas diversas possibilidades, sendo possível encontrar exemplos em que a) as imagens mimam a música – caso do vídeo performativo de Luz Vaga e do lip sync de Count The Stars (Levi, 2004) – ; b) a música concorre com o som ambiente do local em que as imagens foram filmadas (Rollercoaster; My Explanation e Hip Hop); c) a música é interrompida por esses mesmos elementos sonoros (Rollercoaster, Feeling Alive e Poetas de Karaoke), e até um exemplo em que d) a música parece estar relegada a um estatuto de mera banda sonora (Shine On). Apesar de todas estas evidências acrescentarem uma assinalável heterogeneidade à obra de Rui de Brito, a verdade é que todas têm como origem a intromissão do realizador, com um gesto desconstrutivista, na relação confortável do espectador com as imagens e os sons. Se esse gesto é flagrante em muitos dos seus clipes (o famoso toque de telemóvel seguido de um diálogo em Português de Feeling Alive, a voz off de Shine On ou o cameo de Gomo / Rui de Brito em Poetas de Karaoke), há casos em que essa desconstrução atinge uma subtileza digna dos melhores vídeos conceptuais de Spike Jonze (uma indisfarçável influência). Veja-se, por exemplo, a forma como o estatuto de primeiro vídeo de um artista é integralmente desconstruído com a intromissão aleatória de diversos figurantes, num clipe que, por convenção, deveria servir para apresentar ao público o músico Levi Martins (Count The Stars), ou a forma como a legendagem em Português das palavras cantadas pelo vocalista dos EZ Special acabam por, no final do vídeo, legendar surpreendentemente as palavras inaudíveis de uma personagem pertencente à trama do vídeo (My Explanation). A forma como Rui de Brito defrauda os horizontes de expectativa dos espectadores é, sem dúvida, um dos elementos fundamentais e mais unificadores da sua obra. E uma das suas mais significativas marcas autorais.
Use your own light sources, add some special lightning and apply a color correction to the image
O trabalho de iluminação nos clipes de Rui de Brito está, como não podia deixar de ser, intimamente relacionado com a sua concepção claustrofóbica de espaço. A iluminação é quase sempre escassa (Rollercoaster, Hip Hop), a paleta de cores extremamente reduzida e pós-produzida (I Wonder, Shine On), não sendo por isso de estranhar a recorrente utilização de fundos negros e do preto e branco (Count The Stars, Luz Vaga, Que Deus?).
Redecorate the place and play a second instrument
Um palimpsesto é uma página manuscrita, de pergaminho ou livro, cujo conteúdo foi apagado, mediante lavagem e raspagem, e escrito novamente, sendo no entanto possível vislumbrar indícios do primeiro texto. Este exercício de reciclagem medieval (que equivale a uma redecoração de um suporte visual) é aplicado de forma muito produtiva e original na videografia de Rui de Brito: é quase sempre possível detectar na sua obra um determinado código visual sobre o qual vai ser inscrito a própria linguagem do videoclipe. É o caso das televendas (Count The Stars), dos vídeos didácticos (Feeling Alive e I Wonder), do cinema (já lá iremos), do documentário (Shine On), da publicidade (I Wonder), dos espaços noticiosos e dos directos televisivos (Poetas de Karaoke), dos circuitos fechados de televisão (Shine On e Poetas de Karaoke) ou ainda das campanhas de sensibilização social (Quem Me Leva Os Meus Fantasmas?). Esta configuração do videoclipe como palimpsesto é ainda mais notória numa das imagens de marca de Rui de Brito: a sobreposição dinâmica de caracteres tipográficos, que atinge uma sofisticação notável no tantas vezes copiado (mas nunca suplantado) Luz Vaga. É curioso verificar que o ciclo da utilização quase obsessiva deste artifício viria a fechar-se, na sua obra, de uma forma extremamente subtil e original com a transposição da sua dinâmica para os graffiti que povoam o vídeo de Que Deus?.
Set the camera to film mode and give it a cinemascope look
A relação da videografia de Rui de Brito com o cinema é óbvia, mas também presta-se a equívocos. É inegável que se podem detectar diversos indícios dessa relação, como na inclusão gráfica do indicativo 555 em Count The Stars, no cinemascope look de diversos vídeos, e mesmo na referência concreta a alguns filmes, como é o caso de Lost Highway (David Lynch, 1997) em Rollercoaster, Ringu (Hideo Nakata, 1998) em Shine On, Fight Club (David Fincher, 1999) em I Wonder, 8 Mile (Curtis Hanson, 2002) em Hip Hop ou Lost in Translation (Sophia Coppola, 2003) em My Explanation. Contudo, talvez devido a algumas referências biográficas que são do domínio público (Rui de Brito sempre confessou querer fazer filmes, apesar de não ter conseguido entrar no Conservatório), existe uma tendência abusiva e redutora em interpretar todo este flirt à sétima arte como um desejo do realizador em transformar os seus clipes naquilo que, de facto, nunca poderão ser: cinema. Ora, convém não esquecer que o cinema é apenas uma das muitas linguagens visuais que Rui de Brito utiliza para aí inscrever e desconstruir a linguagem dos seus videoclipes. Isso é, de resto, particularmente evidente na utilização dinâmica das barras horizontais em Poetas de Karaoke, em que o famigerado cinemascope look convive pacificamente com o formato televisivo.
Act cool, sexy and crazy and show you can dance
Com a excepção de Feeling Alive (num registo irónico) e de Hip Hop (não obstante o facto de possuir um feeling genuinamente underground), não abundam os momentos eufóricos nos vídeos de Rui de Brito. As suas personagens parecem estar contaminadas (quando não oprimidas) pelo ambiente disfórico do espaço que povoam, formando uma galeria soturna de silhuetas distantes e fantasmáticas corroídas pela fúria (I Wonder), a passividade (Rollercoaster, Count The Stars), a incomunicabilidade (My Explanation), a revolta (Poetas de Karaoke), a dor (Funeral), a tristeza (Que Deus?), o vazio e a frustração (Quem Me Leva Os Meus Fantasmas?). Não deixa de ser particularmente significativo o facto de Rui de Brito ter resgatado Gomo (seu duplo e personagem em Feeling Alive, seu único vídeo manifestamente eufórico) para protagonizar um dos raros momentos de humor da sua videografia (Poetas de Karaoke). É caso para dizer: Ask your friends to join in.
You need a beautiful girl and you need to find the right clothes
NOTA: não me esquecer de inventar aqui uma cena gira antes de enviar o texto à malta do ViMus. Há uma miúda muito gira no vídeo de My Explanation dos EZ Special. E até está vestida à maneira. Conheço aquela miúda não sei de onde... A desenvolver.
Do stuff in slow motion and use video effect
Os lugares-comuns do videoclipe como género prestam-se a todas as experimentações. Rui de Brito é um dos realizadores portugueses mais parcos na utilização desses maneirismos. Ironicamente, há apenas a registar na sua videografia o fast-forward de um céu coberto de nuvens em Que Deus?.
Prepare a mesmerizing ending
Depois da obra de José Pinheiro o ano passado, a organização do Festival ViMus volta a ter na retrospectiva de um realizador de videoclipes nacional um dos principais atractivos do seu programa. Estou certo de que a visualização integral, e por ordem cronológica, da videografia de Rui Brito dará uma oportunidade única ao espectador de poder usufruir de um conjunto não de clipes, mas de uma obra inteira e fluida dividida em 11 capítulos. Pessoalmente, só tenho a lamentar a ausência do seu mais recente vídeo (Quem Me Leva Os Meus Fantasmas?) que poderia perfeitamente ser o capítulo final desta tão notável obra. Não deixa de ser particularmente irónico o facto de um vídeo, que é intransigente em forçar o espectador a ver em grande plano rostos que no dia-a-dia tentamos a todo o custo evitar, capitular de uma forma tão inglória por decisão do próprio realizador. Quem sabe não será este o derradeiro e mais ousado gesto de Brito, o Desconstrutor.
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Mmh. Assim não chego lá.
João Pedro da Costa
Agosto de 2008
Texto incluído no Catálogo do VIMUS 2008
OBRA DE RUI DE BRITO
Videoclipes
Pedro Abrunhosa, «Quem me leva os meus fantasmas?» (2007)
Boss AC, «Que Deus?» (2007)
Sam the Kid «Poetas de Karaoke» (2006)
Gomo, «I Wonder» (2005)
Blind Zero, «Shine On» (2005)
Boss AC, «Hip-Hop» (2005)
EZ-Special. «My Explanation» (2005)
Mesa, «Luz Vaga» (2004)
Levi, «Count the Stars» (2004)
Gomo, «Feeling Alive» (2004)
Austin, «Rollercoaster» (2001)
Televisão
Lisboa Mistura TV (SIC Notícias, 2007-2008)
Fuzz (SIC Radical, 2007-2008)
ModaLisboa (RTP / SIC, 2004-2008)
Pop Up (RTP2, 2004-2005)
Sociedade das Belas Artes (SIC Notícias, 2001-2003)
No Sofá Vermelho (SIC, 1999)
Publicidade
TMN, «Namorados», (Krypton, 2007)
União Zoófila, «Funeral», (Take It Easy, 2006)
Viral
Explosão de Pedro Bidarra, director criativo da BBDO Portugal (Krypton, 2007)

Logo, às 21h30, irá para o ar a 149ª edição do Brand:New ( versão clips) com os novos vídeos de Ladytron, Beck, The Foals e Robots In Disguise. Amanhã, à mesma hora, a 150.ª edição contará com novidades dos Oasis, Sigur Ros, The Black Kids e de Fujiya Miyagi. Tudo devidamente acompanhado com duas selecções ultra-caninas recheada com os melhores clipes farejados pelo canil nas últimas semanas.

Cá está uma das mais reluzentes jóias da coroa da Flor Caveira: Os Pontos Negros. Musiquinha rock com punch (a fazer lembrar os Strokes), letras que são uma maravilha de humor e inventidade e um vídeo que já é um dos objectos audiovisuais narrativos mais fascinantes do ano. Tudo com a benção de Deus, é claro.

Pois é. A festa do ViMus 2008 foi rija e boa durante três dias extremamente proveitosos e ontem à noite, na Póvoa de Varzim, tudo culminou com a entrega dos prémios atribuídos pelo júri formado por Inês Nadais, Stéphane Jourdain e Rui de Brito. De salientar que, dos 15 premiados, nada mais nada menos do que 13 passaram pelo nosso programa. É caso para dizer que o nosso canil continua com o faro bem apurado.



Pois é: já podemos anunciar o grande vencedor do Prémio MTV Brand:New 2008 para o Melhor Videoclipe Nacional em competição do Festival ViMus (isto segundo os critérios altamente contestáveis do nosso canil): «É Verdade» dos Terrakota, realizado por Paulo Prazeres da Droid-id.
Em Janeiro de 2008, já aqui tínhamos escrito que o vídeo é um sofisticado exercício visual que tanto nos remete para o universo da banda desenhada de Bilal como para clássicos de ficção científica como Planet of The Apes, Star Wars, Dune e Mad Max. Prova da excelência do clipe é o facto de este ter sido o único filme português seleccionado para a competição oficial da edição deste ano do Fantasporto. Agora, já podem acrescentar o facto de ser o primeiro vencedor do nosso prémio canino.
Aos membros dos Terrakata e ao Paulo Prazeres: os nossos sinceros e caninos parabéns. A primeira consequência desta brilhante vitória será a presença da banda no nosso próximo Arraiolos. Até lá, fiquem com o vídeo e um making of exclusivo: basta clicar aqui.

Custou, mas valeu a pena a espera: quase um ano após o lançamento de SMOKEY ROLLS DOWN THUNDER CANYON, eis o primeiro vídeo do último álbum de Devendra Banhardt. Uma narrativa alucinada localizada na Índia que conta com a presença da namorada do rei da freak-folk: a única e incomparável Natalie Portman. Aqui está um belo clipe para fazer uma parelha com esta pérola da MIA.

Mais uma voz feminina vinda de África que promete conquistar o éter em 2008. Nneka nasceu na Nigéria, vive na Alemanha e canta em Inglês um neo-soul politicamente empenhado que já lhe mereceu comparações à grande Eryka Badu. Depois de um disco de estreia que passou relativamente despercebido, o novo NO LONGER AT EASE tem merecido rasgados elogios da crítica e do público (humano e canino). «Heartbeat», o single de apresentação, é já uma das músicas favoritas do canil. O vídeo foi integralmente filmado em Lagos na Nigéria.

Lembram-se destas meninas? Pois é.

Já são meninos para saber que logo, às 21h30, irá para o ar a 147ª edição do nosso programa canino com os novos vídeos dos Vampire Weekend, Feeder, Those Dancing Days e Sam The Kid; e que amanhã, à mesma hora, a 148.ª edição contará com novidades de Devendra Banhardt, Nneka, Travis e d'Os Pontos Negros. Saberão igualmente que tudo será devidamente regado com duas selecções ultra-caninas recheada com os melhores clipes farejados pelo canil nas últimas semanas. As coisas que vocês sabem.

O ViMus 2008 está quase aí a rebentar e o canil gostaria de informar todos os nossos leitores que a sessão de abertura terá lugar no dia 4 de Setembro (amanhã, 5.ª-feira), na BIBLIOTECA DIANA BAR (Largo do Passeio Alegre), na Póvoa de Varzim, pelas 22h00, com a exibição do mui recomendável videodocumentário Heavy Metal in Baghdad de Eddy Moretti & Suroosh Alvi. A entrada é livre e apenas condicionada à lotação do espaço. Vejam lá se aparecem.
HEAVY METAL IN BAGHDAD
(de Eddy Moretti & Suroosh Alvi)
Este documentário conta a inspiradora e explosiva história da única banda iraquiana de heavy metal, os Acrassicauda (Escorpião Negro), desde da queda de Saddam Hussein em 2003 até aos dias de hoje. Se tocar heavy metal num país muçulmano seria sempre difícil, senão impossível, após a deposição do regime, houve um breve momento em que a banda sentiu abertura suficiente para prosseguirem com a sua carreira. Essa esperança seria destruída rapidamente, logo após o conflito sangrento que assolou o país. De 2003 a 2006, enquanto o Iraque se desintegrava à sua volta, os Acrassicauda lutavam para permanecerem unidos e sobreviverem, mas sempre sem deixar morrer os seus sonhos de heavy metal.
Para obterem o programa do ViMus 2008, basta clicarem aqui.

A sexta (e última) sessão da competição internacional termina em beleza e os nossos destaques caninos vão para quatro vídeos que fizeram vibrar o canil nos últimos meses (todos eles realizados por grande nomes do universo dos videoclipes): «Salmon Dance» dos The Chemical Brothers (realizado pela dupla Dom & Nic), «L.E.S. ARTISTES» de Santogold (realizado por Nima Nourizadeh), «I Feel It All» de Feist (realizado por Patrick Daughters) e finalmente um vídeo que, se não receber nenhum prémio, irá dar origem a um motim no canil: «Sirens» de Dizze Rascal (realizado por W.I.Z). Já sabem: a partir de amanhã, todos os caminhos vão dar à Póvoa de Varzim.
COMPETIÇÃO INTERNACIONAL #6
The Chemical Brothers [APOSTA CANINA]
SALMON DANCE
(Reino Unido)
Real.: Dom & Nic
Fotografia: John Lynch
Editora: Virgin Rec
Produtora: Factory Films
Perishers
STEP OUT OF THE SHADE
(Suécia)
Real.: Andreas Nilsson
Fotografia: Mikel Cee Karlsson
Editora: NONS
Produtora: Nixonnoxin
The Blue Seeds
LOST AND DELIRIOUS
(EUA)
Real.: Stéphane Fournier
Editora: Iconoclaste
Produtora: Ottoblix
David Usher
UGLY IS BEAUTIFUL
(Canadá)
Real.: Margaret Malandruccolo
Fotografia: Jonathan Bensimon
Editora: Maple
Produtora: Blink Pictures/The Field
The Delays
LOVE MADE VISABLE
(Reino Unido)
Real.: Michael Reich
Editora: Polydor
Produtora: Draw Pictures
People In Planes
PRETTY BUILDINGS
(Reino Unido)
Fotografia: Suny Behar
Editora: Wind-Up Rec
Produtora: Walter Robot
Los Planetas
ALEGRÍAS DEL INCENDIO
(Espanha)
Real.: Luis Cerveró
Fotografia: Marc Gómez
Editora: Sony BMG
Produtora: Nanouk Films
Santogold [APOSTA CANINA]
L.E.S. ARTISTES
(EUA)
Real.: Nima Nourizadeh
Fotografia: Adam Frisch
Editora: Atlantic Rec
Produtora Partizan
Klaus & Kinski
FLASHBACK AL REVÉS
(Espanha)
Real.: Chema García
Fotografia: Chema García
Editora: Independent
Produção: Chema García Ibarra
Feist [APOSTA CANINA]
I FEEL IT ALL
(EUA)
Real.: Patrick Daughters
Fotografia: Shawn Kim
Editora: Interscope
Produtora: The Directors Bureau
Alien Robots Orchestra
INDIGO MOON
(França)
Real.: Cyprien Nozières
Editora: Bizar Bizar/ Harmonia Mundi
Produtora: Dans La Cible
Dizzee Rascal [APOSTA CANINA]
SIRENS
(Reino Unido)
Real.: W.I.Z.
Fotografia: Tom Townend
Editora: XL Recordings
Produtora: Factory Films

Na quinta sessão da competição internacional, para além dos nossos já conhecidos vídeos dos Interpol (de Patrick Daughters) e dos Simian Mobile Disco (de Ace Norton), há ainda a destacar duas belas surpresas. A primeira é o luxuriante clipe que Aliaksei Tserakhau (o autor desta obra-prima) realizou para os bielorussos Merry Poppins e o sóbrio mas delicado vídeo dos sul-africanos Andy Lund & The Mission Men.
COMPETIÇÃO INTERNACIONAL #5
Interpol [APOSTA CANINA]
NO I IN THREESOME
(Reino Unido)
Real.: Patrick Daughters
Fotografia: Shawn Kim
Editora: Capitol
Produtora: The Directors Bureau
Hush Puppies
DOWN, DOWN, DOWN
(França)
Real.: Nieto
Fotografia: Ernesto Giolitti
Editora: Diamond Traxx
Produtora: Autour de Minuit
Andy Lund & The Mission Men [APOSTA CANINA]
HOLD THE SORROW
(África do Sul)
Real.: Jenna Bass
Fotografia: Jenna Bass
Produção: Jenna Bass
Vinodelfin
PERFECTO EN LA LOCURA
(Espanha)
Real.: Mark Lozano
Fotografia: Marc Gómez
Editora: Warner Music
Produtora: Nanouk Films
Luke
TERRE FERME
(França)
Real.: Laurie Thinot
Fotografia: Laurie Thinot
Editora: Sony BMG Music entretainement France
Produtora: Autour de Minuit
Merry Poppins [APOSTA CANINA]
MY NAME IS LOVE
(Bielorússia)
Real.: Aliaksei Tserakhau
Produtora: Cosmos Films
Uman
MA GUEULE
(Bélgica)
Real.: Jan Brzeczkowski
Fotografia: Dylan Doyle
Editora: PIAS
Produtora: Nose PH
Thunderheist
JERK IT
(EUA)
Real.: Noel Paul & Stefan Moore
Fotografia: Michael Ragen
Produtora: That Go
Vetusta Morla
OTRO DIA EN EL MUNDO
(Espanha)
Real.: Alvaro León Rodriguez
Fotografia: Nacho Lopez
Editora: Pequeño Salto Mortal
Produtora: Keloide
Tunng
BULLETS
(Reino Unido)
Real. Tom Haines
Fotografia: Steven Annis
Editora: Full Time Hobby
Produtora: Factory Films
Bonnie ‘Prince’ Billy
LOVE COMES TO ME
(EUA)
Real.: Oliver Pietsch
Fotografia: Oliver Pietsch
Editora: Domino
Produção: Oliver Pietsch
Simian Mobile Disco [APOSTA CANINA]
HUSTLER
(Reino Unido)
Real.: Ace Norton
Editora: Whicita Rec
Produtora: Partizan