
Edouard Salier é um criador francês que, movido pelo seu insaciável apetite por imagens, tem multiplicado a um ritmo frenético experiências gráficas e audiovisuais através de curtas-metragens, videoclipes, filmes publicitários, instalações e VJing. Nome incontornável do circuito audiovisual alternativo, o trabalho de Edouard Salier começou a ser conhecido por uma imensa minoria quando, em 2005, a sua curta-metragem Empire ganhou o prémio do público no Brooklyn Film Festival. É também deste ano que data Flesh, um fabuloso exercício audiovisual que narra, de uma forma que causou imenso furor e polémica, os eventos do 11 de Setembro ao cobrir os arranha-céus de Nova Iorque com uma catadupa de imagens pornográficas.
Empire (Edouard Salier, 2004)
Flesh (Edouard Salier, 2005)
Para além desta dimensão de agitador, Edouard Sallier tem igualmente construído nos últimos anos uma obra singular no universo dos videoclipes, que, com a excepção dos vídeos para os Orishas e do tema Já sei namorar dos Tribalistas (2003), permanece desconhecida da grande maioria do público português. Para além de registos mais experimentalistas de vídeos como Clumsy Lobster (Ernest Saint Laurent, 2001), «Back By Dope Demand» (Naab, 2002) e Batifole (Winter & Bogue, 2004), de verdadeiros prodígios de manipulação de imagem (Hay un son, Orishas, 2007), da aparente simplicidade e economia de recursos de vídeos como «Perfect Monster» (Kactus Hunters, 2001) e do fabuloso (e falso) plano sequência de Naci Orishas (Orishas, 2004), a videografia de Edouard Salier destaca-se sobretudo pelo seu domínio da arte do corte e da colagem, que conduzirá o espectador mais atento a uma muito estimulante reflexão sobre o próprio estatuto da imagem.
Thomas Winter et Bogue: «Le Balayeur» (Edouard Salier, 2004)
Tendo competido o ano passado com 3 videoclipes na competição internacional, e no momento em que está a preparar a sua primeira longa-metragem, apenas se pode aplaudir o facto de o ViMus apresentar este ano uma retrospectiva exaustiva do conjunto da obra desse realizador fascinante, cujo estilo já foi muito apropriadamente apelidado de barroco-trash.
João Pedro da Costa
Agosto 2008
Comments
OH, Diós Mio, o que foi este João rapaz dar a conhecer a esta pobre rapariga. Acho que descobri um mentor. O Salier não tem vergonha na cara. :O Estou feliz!!
Socorrooooooooooooooooo!!!! (Que exagero... cof)
Posted by: M. Girão | setembro 1, 2008 04:22 PM
É incrível, não é? Agora imagina ver isto tudo num grande écran...
Posted by: João Pedro da Costa | setembro 3, 2008 11:57 AM