Regra n.º 26 do Showbizz: jamais virar as costas à câmara.
Olá a todos, cá estou de novo para felinamente levantar a ponta do véu do que irá ser a 26.ª edição do brand:new que irá para o ar logo às 20h na MTV Portugal. E após o sucesso da edição dedicada aos vídeos musicais inspirados nos jogos de computador, vamos agora repetir a dose com mais um brand:new temático que andará em torno de uma técnica muito utilizada na produção de telediscos: o chroma key (se não sabem o que é, não há nada como verem o programa). Haverá novidades fresquinhas de duas bandas de culto do programa (Klaxons e Hot Chip) e ainda uma viagem ao passado mais recente e mais distante em busca de dois clássicos que foram pioneiros na utilização do denominador comum dos quatro telediscos desta emissão: Talking Heads e M.I.A..
Como alguns leitores já repararam, existe, desde meados de Agosto, um assinalável desfasamento entre os programas que têm sido explorados no blogue e os que tem sido transmitidos pela MTV. No intuito de resolver esta discrepância, a MTV irá finalmente transmitir nas próximas três semanas as edições 26, 27 e 28 do brand:new, que não foram para o ar quando estava previsto devido a problemas legais (entretanto resolvidos) com alguns dos vídeos que faziam parte dos três alinhamentos. Nesse período de tempo, haverá um inevitável abrandamento do ritmo de publicação de entradas no blogue, igualmente potencializado pelos problemas técnicos (ataques de spam nas caixas de comentários) que têm afectado a plataforma weblog.com.pt. A ver vamos. Obrigado e desculpem lá este pequeno contratempo.
É inevitável que, num programa como o brand:new, acabem por surgir algumas bandas «fétiche» pelo número de vídeos que temos vindo a inlcuir nos nossos alinhamentos. É o caso dos The Knife, Broken Social Scene, Hot Chip e de Plan B. Neste último caso então, a história do jovem e promissor rapper londrino quase se confunde com a história do nosso programa, na medida em que já passámos a totalidade da sua videografia. No momento em que o álbum de estreia Who Needs Actions When You Got Words começa a fazer estragos no Reino Unido, resolvi deixar-vos aqui uma súmula videográfica desse promissor artista que tem sabido, e de que maneira, escolher os realizadores a quem encomenda os seus telediscos. Reparem só neste trio: Daniel Lévi, Paul Gore e David Shadforth. Pois é.
- «No Good» (2006) (realização: Daniel Lévi)
- Missing Links (Windows Media Player) (2006) (realização: Paul Gore)
Aproveitando o facto do último brand:new ter contado novamente com a presença dos magníficos Broken Social Scene e de haver provavelmente por aí leitores que tiveram a sorte de assistir ao brilhante concerto que a banda canadiana deu a semana passada em Paredes de Coura, vou juntar o útil ao agradável e deixar-vos uma selecção videográfica dos rapazes que, para além de serem responsáveis por alguma da música mais excitante dos últimos tempos, também capricham (e de que maneira) nos seus telediscos. Aí vai aço.
- «I'm Still Your Fag» (2003) (realização: Chris Grasmer)
- «Stars & Sons» (2003) (realização: Christopher Mills)
- «Cause = Time» (2003) (realização: George Vale & Kevin Drew)
Agora que a vigésima oitava edição do brand:new já foi para o ar (não se esqueçam das repetições assinaladas na coluna da direita do blogue), já posso revelar qual foi o clássico vídeo musical que fomos respescar para abrilhantar a emissão: «Frontier Psychiatrist» dos The Avalanches, colectivo de DJs australianos que em 2000 abalaram o mundo com o seu magnífico Since I Left You. O teledisco, da autoria da dupla Kuntz & Maguire, propõe seguir visualmente o rasto dos múltiplos samplers usados no tema e o resultado é um dos mais imaginativos e hilariantes vídeos musicais de todos os tempos. Estejam bem atentos e depois digam-me lá se o que gostaram mais foi o coro de fantasmas, a tartaruga cabeçuda, a Miss Daisy baterista, os metais helvéticos, a banda mariachi, o esqueleto DJ, a professora de matemática ou...
Regra n.º 28 do Showbizz: a preguiça é altamente contagiosa no mundo do espectáculo.
Olá a todos, cá estou eu mais uma vez, cansado como sempre, e a fazer um esforço canino para vos apresentar o que irá ser a 28.ª edição do brand:new que, como sempre, irá para o ar logo às 20h na MTV Portugal. Iremos começar à bruta com «Fire Eyed Boy», o sublime novo vídeo dos Broken Social Scene, e passar logo de seguida como o novo single de um habitué do programa: «Mama» de Plan B. Ainda haverá tempo para mais um vídeo dos Naïve e, como não podia deixar de ser, para mais um vídeo clássico. Sobre este último, nada posso dizer a não ser: «This boy needs therapy». Agora, com a vossa licença, vou ali dormir uma sesta e volto já.
Tal como tinha prometido no post anterior, venho vos falar um pouco da Intro, uma empresa de design fundada em 1988 e que saltou para a ribalta em 2000, quando idealizou a magnífica capa de Xtrmntr (lê-se «Exterminator») e o vídeo de «Kill All Hippies» dos Primal Scream. Julian House e Julian Gibbs são a dupla que se se tem destacado na produção de vídeos musicais, ao transpor para esse universo uma das características fundamentais do trabalho da Intro: a colagem. Para além de dois belos telediscos, deixo-vos alguns links para páginas cuja visita aconselho vivamente: este, este e este.
Na última emissão do brand:new, passámos Dolls (HTML) o mais recente vídeo dos Primal Scream, mais uma autêntica pérola de rock'n'roll que conta com a participação especial de Alison Mosshart dos The Kills. Por isso, resolvi aproveitar o lanço para vos trazer uma selecção pessoalíssima dos meus quatro telediscos favoritos da magnífica banda escocesa, que abrange o período mais fascinante da sua já longa carreira: 1997 - 2003. Espero que gostem.
- «Kowalski» (1997) (realização: Steven Hanft) - retirado do magnífico Vanishing Point, o vídeo marca a entrada de Kate Moss para o universo dos Primal Scream, aqui ainda longe do micro.
- «Kill All Hippies» (2000) (realização: Julian Gibbs & Julian House) - a obra-prima absoluta da videografia da banda de Gillespie, da responsabilidade de dois designers da Intro (hei-de falar destes senhores em breve no blogue). Cada frame deste vídeo é um magnífico trabalho de design gráfico.
- «Miss Lucifer» (2002) (realização: Dawn Shadforth) - o grande single de apresentação de Evil Heat teve direito a um dos mais marcantes telediscos do novo milénio, da autoria de um realizador que viria a dedicar-se posteriormente aos huskeys e à Goldfrapp.
- «Some Velvet Morining» (2003) (realização: Dawn Shadforth) - segunda aparição, desta vez não apenas visual, mas também audio, de Kate Moss no universo dos Primal Scream para formar com Gillespie um dos duetos mais inesperados e fascinantes dos últimos anos.
No última edição do brand:new, passámos igualmente «Tu Fazes Parte Deste Mundo», o mais recente vídeo dos Nigga Poison, uma banda tuga que ao fim de dez anos de árduo labor, promete dar um salto gigante na sua carreira com o lançamento do magnífico Resistentes. Ora, não obstante o meu crónico cansaço, resolvi deixar-vos um stream não apenas desse belo teledisco, como o de «Dedicaçon», o primeiro da autoria de Ricardo Tércio e o segundo de António Forte [ler os comentários para mais detalhes], ambos membros da inevitável e sempre muito recomendável DROID-id.
Na última edição do brand:new, passámos dois vídeos relativos à mesma canção: o do original «Don't Go» dos Yazoo (um dos mais admiráveis cometas da synth-pop da década de oitenta e ponto de passagem obrigatório para se perceber a relação entre os Depeche Mode e os Erasure) e o relativo à versão dos Nouvelle Vague, duo francês que se tem especializado em transpor para o easy-listening alguns temas míticos da década de 80 (estas frases longas dão cabo de mim). E se existe um óbvio contraste musical entre o original e a versão, ver os respectivos telediscos de seguida é uma autêntica viagem temporal que faz vir ao de cima o profundo contraste entre o imaginário da década de 80 e o do novo milénio, sobretudo se tivermos em conta que o vídeo dos Yazzo foi um dos primeiros fenómenos de popularidade da MTV nos Estados Unidos. Fica a pergunta: com que será de nós daqui a 20 anos?
- «Don't Go» (Yazzo, 1983) (realização: Chris Gabrin)
Regra n.º 27 do Showbizz: há que nos apoiarmos uns aos outros.
Olá a todos, chamo-me Gigante e tenho de confessar que estou muito (mas muito) cansado. Para além de trazer de volta a normalidade canina ao blogue depois das lamentáveis três semanas em que um felino nos sabotou o HTML, tenciono igualmente introduzir uma certa acalmia no débito de entradas publicadas: isto de escrever posts dá muito e trabalho e, eu, pois é, estou muito cansado (suspiro). Mas como ainda tenho um resíduo de élan, ainda me vou dar ao trabalho (palavra horrenda) de vos apresentar a 27.ª edição do brand:new que irá para o ar logo às 20h na MTV Portugal. Iremos começar com «Fazes parte deste Mundo» dos Nigga Poison, mais um vídeo tuga de alto quilate, para passar logo de seguida ao novo teledisco dos Primal Scream, o magnífico «Dolls» que conta com a participação muito especial de Alison Mosshart, a vocalista dos The Kills. Ainda haverá tempo para o regresso dos Nouvelle Vague, com o surpreendente vídeo de «Don't Go». Quanto ao clássico da emissão, esta semana não haverá grandes mistérios se tivermos em conta que o duo francês apenas faz versões... (Estou tão cansado, caramba.)
E assim chega ao fim a minha revolucionária aventura televisiva e blogosférica. Espero que tenham apreciado a minha companhia (a carapuça também serve para os dog lovers que invadiram a caixa de correio do blogue com e-mails indignados) e, sobretudo, que tudo isto tenha sido pretexto para ouvir e ver boa música e bons vídeos. Caso haja por aí alguém (e eu sei que vocês sabem que eu sei que há) interessado em ter uma companhia felina em sua casa, por favor não deixem de nos enviar um e-mail, va bene? Para terminar, fica a lista ordenada alfabeticamente dos telediscos que mostrámos nas três últimas emissões do brand:new. Podem deixar as vossas preferências na caixa de comentários. Olé.
- 12:51 (The Strokes) (Rough Trade, 2003)
- CALIFORNICATION (Red Hot Chili Peppers) (Warner, 1999)
- COM A FORÇA DAS PALAVRAS (Twism) (Chocolate Bars, 04/07/2006)
- FROM PARIS TO BERLIN (Infernal) (Universal, 15/05/2006)
- GALANG (Mia) (XL Recordings, 2005)
- GRAVITY’S RAINBOW (Klaxons) (Angular, 15/03/2006)
- HYPERBALLAD (Björk) (Elektra, 1995)
- KELLY WATCH THE STARS (Air) (Astralwerks, 1998)
- MOVE YOUR FEET (Junior Senior) (Crunchy Frog, 2002)
- ONCE IN A LIFETIME (Talking Heads) (Sire, 1980)
- OVER & OVER (Hot Chip) (DFA, 20/02/2006)
- PLAY IT COOL (Super Furry Animals) (Flydaddy, 1997)
- YOU ONLY LIVE ONCE (The Strokes) (Rough Trade, 20/06/2006)
Um brilhante vídeo do rapaz até já teve a «honra» de fazer parte do alinhamento de um programa da primeira série, mas só agora é que consegui encontrar streamings para a sua absoluta obra prima. Em 2004, Mocky compôs e realizou o magnífico teledisco que poderão ver de seguida e que é integralmente constituído por imagens resultantes de uma busca do título da canção «I Mickey Mouse Motherfuckers» no motor de pesquisas de imagens do Google. Apesar da Walt Disney ter conseguido evitar que o vídeo passasse pelas televisões do mundo, o mesmo continua gloriosamente disponível na Internet. É ver (e ouvir) para crer.
(E se preferirem um Quick Time, também se arranja. Ah pois é.)
Na última edição do brand:new (por favor, não me façam escrever outra vez «chroma key»), passámos Gravity's Rainbow, o novíssimo vídeo dos Klaxons. O teledisco é da autoria de Saam Faramand, um jovem realizador britânico que, apesar de apenas ter 3 trabalhos no currículo, já se destaca da concorrência ao enveredar por caminhos menos óbvios na produção dos seus vídeos musicais. O seu primeiro teledisco é o relativo a Mirror Mirror (Quick Time) dos Clor e é um impressionante exercício de estilo sobre a (ausência de) iluminação com evidentes influências lynchianas. O segundo vídeo, relativo a «Good Stuff» dos Clor, é a negação absoluta do primeiro, mais parecendo um daqueles insólitos filmes que as grandes marcas encomendam para realçar as superlativas qualidades cromáticas dos seus altamente tecnológicos televisores. Ou muito me engano, ou temos aqui um nome que irá dar muito que falar nos próximos tempos.
Vídeos musicais que utilizam o chroma key: a nossa selecção Color's Digest
Mas afinal, o que é o chroma key? Comecemos pelos princípio: o chroma key é uma técnica de gravação vídeo que consiste na remoção de uma cor de uma imagem a fim de se poder inserir uma outra (imagem), fazendo com que essa cor se torne transparente (calma, que as coisas ainda vão ficar mais confusas). Habitualmente, utilizam-se painéis cuja cor varia entre o azul e o verde por serem as cores cujo espectro está mais afastado do da pele humana, daí o facto dessa técnica ser também conhecida por bluescreen e greenscreen, respectivamente. Para além de ser utilizado com grandes efeitos nas produções cinematográficas, o chroma key foi particularmente popular nos boletins meteorológicos televisivos da década de 80 e 90, em que surgiam nas costas do apresentador uma série de mapas, gráficos e fotos tiradas por satélite (curiosamente, saiu há pouco tempo em DVD The Weather Man, a magnífica nova longa-metragem de Gore Verbinski e Steven Conrad, em que o chroma key é tratado como uma verdadeira vedeta do filme). Como não podia deixar de ser, o chroma key, por ser relativamente acessível tanto do ponto de vista técnico como financeiro, foi amplamente utilizado na criação de vídeos musicais e não raras vezes com resultados que deixavam muito a desejar: podem ver aqui (You Tube) um dos exemplos mais sublimes.
O rastilho para a 26.ª edição do brand:new foi o primeiro teledisco retirado de The Warning dos Hot Chip e relativo ao tema Over & Over (Windows Media Player). Esse vídeo, da autoria de Nima Nourizadeh, explora de uma forma particularmente original a técnica do chroma key ao mostrar aquilo que, normalmente, não é suposto ver-se, isto é, o gigantesco painel verde utilizado para inserir as imagens digitalmente. É uma espécie de autópsia visual da técnica, involuntariamente pedagógica e decididamente bem-disposta. Uma absoluta maravilha.
Depois, deu-se ainda a feliz coincidência de «Gravity's Rainbow», o novo single e vídeo dos Klaxons (a mais recente coqueluche do programa), utilizar igualmente a técnica do chroma key, desta feita de uma forma mais corrente, porém vertiginosa. Realizado por Saam, este teledisco leva até aos limites as potencialidades psicadélicas dessa técnica e acaba por assentar que nem uma luva à euforia da música da banda. Está no limiar da dor de cabeça.
Como já tínhamos dois vídeos recentes no alinhamento do programa, apenas nos restava recuar um pouco no tempo e encontrar dois exemplos históricos que tenham funcionado como paradigmas da utilização do chroma key. Primeiro, fomos repescar aquele que é, muito provavelmente, o clássico dos clássicos do chroma: «Once In A Lifetime» dos Talking Heads, realizado em 1982 por Toni Basil e pelo próprio David Byrne. Apesar de não se poder, de facto, afirmar que o vídeo é um primor de apuramento técnico, a verdade é que tanto as imagens projectadas na tela, como as coreografias de David Byrne, fizeram deste teledisco um dos mais hilariantes e bizarros produtos da história dos vídeos musicais. É curioso verificar que, apesar do single não ter sequer conseguido entrar para as tabelas de vendas dos Estados Unidos ou do Reino Unido, o teledisco conseguiu sobreviver à passagem dos anos e já tem o seu nome escrito nos anais da pop por ser um dos vídeos mais vezes passados na história da MTV. Um verdadeiro ícone.
E depois dos passos de dança psico-étnicos de David Byrne, não encontrámos nada melhor para fechar esta nossa emissão dedicada aos vídeos musicais que utilizam a técnica do chroma key do que o estilo trashy da MIA no vídeo que co-realizou com Ruben Fleischer para o seu primeiro single. É curioso verificar que, apesar de quinze anos separarem «Galang» de «Once In A Lifetime», ambos os vídeos partilham não apenas a técnica do chroma key, mas igualmente a mesma utilização originalíssima do corpo e o sentido de humor. Está visto que a história dos vídeos musicais também é feita de movimentos circulares. Passem lá o cheque ao Platão e ao Nietzsche.
Regra n.º 26 do Showbizz: jamais virar as costas à câmara.
Olá a todos, cá estou de novo para felinamente levantar a ponta do véu do que irá ser a 26.ª edição do brand:new que irá para o ar logo às 20h na MTV Portugal. E após o sucesso da última edição dedicada aos vídeos musicais inspirados nos jogos de computador, vamos agora repetir a dose com mais um brand:new temático que andará em torno de uma técnica muito utilizada na produção de telediscos: o chroma key (se não sabem o que é, não há nada como verem o programa). Haverá novidades fresquinhas de duas bandas de culto do programa (Klaxons e Hot Chip) e ainda uma viagem ao passado mais recente e mais distante em busca de dois clássicos que foram pioneiros na utilização do denominador comum dos quatro telediscos desta emissão. E mais não digo.
Uma pequena entrada apenas para vos remeter para o novo (e brilhante) teledisco da banda fetiche do brand:new, os incomparáveis The Knife. O tema «Marble House» já tinha tido direito a um vídeo (Windows Media Player) bem interessante de Björn Renner, mas esta pequena animação de Chris Hopewell arrasa com a concorrência.
Na última edição do brand:new (que, lembro, foi exclusivamente dedicada aos vídeos musicais inspirados em jogos de computador), passámos o magnífico vídeo de Move Your Feet (Quick Time) de Junior Senior. Ora, esse teledisco é um excelente pretexto para vos falar um pouco do trabalho de Shynola, um colectivo britânico de realizadores e ilustradores formado por Gideon Baws, Chris Harding, Kenny Kenworthy e Jason Groves que tem produzido para o universo pop alguns dos mais originais telediscos dos últimos anos, tendo sido igualmente os autores dos famosos blips do álbum Kid A dos Radiohead. Deixo-vos de seguida uma selecção dos meus quatros vídeos favoritos dos rapazes (para além do de «Move Your Feet», é claro). Todos eles são pequenas obras-primas da arte da animação. E do humor subtil.
- «Is A Woman» (Lambchop, 2003) - raramente um teledisco conseguiu criar uma intimidade tão intensa com um trilha sonora com a deste magnífico trabalho de animação com uma das mais belas e frágeis canções de Kurt Wagner. Melhor do que isso só mesmo a escuridão. E o silêncio.
- «Go With The Flow» (Queens Of The Stone Age, 2003) - é um dos telediscos mais iconográficos do novo milénio e aquele que garantirá a presença dos QOTSA nos anais dos vídeos musicais (que o digam os Dapunksportif). Façam-me o favor de reparar na seguinte ordem cronológica: primeiro saiu este teledisco e só dois anos depois é que estreiou Sin City, a adaptação cinematográfica de Robert Rodríguez ao universo de Frank Miller. Ah pois é.
- «Good Song» (Blur, 2003) - a obra-prima dos rapazes e, paradoxalmente, o menos sofisticado do ponto de vista técnico. Mas não tem nada que enganar: a rudeza dos traços e o humor fazem deste teledisco um dos momentos mais singulares da história recente dos vídeos musicais. Genial.
- «E-pro» (Beck, 2004) - este teledisco não entrou na nossa selecção de vídeos musicais inspirados em jogos de computador por uma unha negra. O vídeo marca o regresso de Beck não apenas a uma renovada inspiração musical, mas igualmente a algo que marcou grande parte da sua carreira: a qualidade dos seus videoclips.
Vídeos musicais inspirados em jogos de computador: a nossa selecção Player's Digest
Ora cá estou eu para recapitular em HTML aquilo que foi a 25.ª edição do brand:new, onde vos trouxemos a nossa selecção de vídeos musicais inspirados em jogos de computador. Como é óbvio, o leque de opções era vasto e a escolha foi gloriosamente subjectiva. Custou-nos imenso, e só para dar dois exemplos, deixar de fora pequenas pérolas como E-pro (You Tube) de Beck e esse autêntico monumento da menosprezada arte da pirosice que é Let's Get Rocked (You Tube) dos Def Leppard. De qualquer forma a escolha está feita e, caros leitores, aí vai aço:
- «Hyperballad» (Björk, 1995) (realização: Michel Gondry) - apesar de não viver exclusivamente do universo dos jogos de computador, este belíssimo video do realizador francês atinge o seu momento de glória quando surge uma dupla pixelizada da cantora islandesa.
- «Californication» (Red Hot Chili Peppers, 1999) (realização: Jonathan Dayton & Valerie Faris) - é, a nível técnico, o vídeo que levou mais longe o conceito de musical videogame - muita acção com snowboarding, aventuras subaquáticas, surf, corridas de carro, ovnis e insectos gigantes. Claro que podem sempre perguntar o que é que tudo isso têm a ver com a letra da música, mas quando um teledisco atinge este requinte, o melhor é não dar importância a esses pequenos pormenores...
- «Kelly Watch The Stars» (Air, 1998) (realização: Mike Mills) - passando dos jogos de computador tridimensionais para o charme retro dos jogos arcade, não faltam exemplos de vídeos musicais que se deixaram fascinar pelo universo dos pixéis. Mas nenhum conseguiu atingir a subtileza do teledisco que Mike Mills realizou para este tema do duo francês, onde não são os gráficos que copiam a realidade, mas o contrário.
- «Move Your Feet» (Junior Senior, 2002) (realização: Shynola) - é, muito provavelmente, a derradeira e mais conseguida homenagem ao mundo dos pixéis. Um teledisco cheio de humor, em constante sincronismo com o tema, e que apresentou ao mundo o esquilo mais cool e pintarolas do universo pop. Quanto ao resto, o título da canção diz tudo.
Fazia ainda parte desta nossa selecção, o magnífico vídeo de «Play It Cool» dos Super Furry Animals (1997), onde os elementos da banda apareciam feitos jogadores no cenário do jogo Actua Soccer 2 e davam uma lição de futebol ao Brasil. Contudo, e pela primeira vez desde a criação deste blogue, um anfitrião (vão dizer que é por causa do facto de eu não ser canino) não conseguiu encontrar na net um stream para um vídeo que tenha entrado num alinhamento do brand:new. Será que haverá por aí algum leitor capaz de me dar um ajudinha?
Regra n.º 25 do Showbizz: nunca se assustar com a presença dos assistentes de produção.
Olá a todos, cá estou eu para vos apresentar mais uma edição do brand:new, que irá para o ar logo às 20h na MTV Portugal. E, desta vez, a apresentação será muito lacónica, na medida em que a emissão será temática e gravitará em torno do conceito: vídeos musicais inspirados em jogos de computador. Enquanto esperem pela nossa selecção dos cinco melhores telediscos em que os beats surgem em sincronia perfeita com os bits, puxem lá pela vossa cabecinha e façam o vosso alinhamento que é para depois comparar com o nosso. Já sabem: logo, ao fim do dia, troquem o telecomando pelo joystick e aumentem o sonzinho do televisor para um brand:new muito especial.
Ainda a propósito de «It's A Complow» de DJ Nel'Assassin
O blogue recebeu há dias um comentário relativo a It's A Complow (YouTube) da produtora droid na entrada sobre a selecção nacional da primeira série do brand:new. Como o texto é deveras interessante e fornece mais algumas pistas sobre o meritório trabalho da produtora na criação de telediscos tugas, resolvi republicar o mesmo nesta entrada. Fica aqui o agradecimento felino.
Fomos os produtores do vídeo «It's a complow» do Nel'Assassin & Family. Apesar de ter sido um video feito, naturalmente e visivelmente, com parcos meios, é ainda um video que gostamos de rever e que nos traz boas recordações. Uma tarde em casa do Nel (com direito a uma Cachupa deliciosa) e em que, partindo da ideia inicial de filmar o encontro de familia à volta da mesa, se passou para uma digressão pelos locais de infância do Nel, por impossibilidade de ter a familia reunida nesse dia. Não sabemos se o clip ficaria melhor com a ideia original, mas sabemos que a alternativa nos pareceu fazer sentido. Da mata onde eles brincavam, à garagem onde o Nel tem o seu Dj cockpit e da sala de estar em casa dos pais, fomos sendo guiados por algumas histórias e locais, filmando espontaneamente para editar depois. A equipa para este video foi constituida por duas pessoas e pelos músicos.
Aos fans do Nel'Assassin sugerimos uma visita ao nosso blogue para descobrirem outro video do album TIMECODE com Sam the Kid & Sagas: «O Ideal»
Encontrarão também videos de Chullage e Nigga Poison entre outros. Check it out. Até breve e parabéns à MTV por este brand:new que se espera venha a dar mais visibilidade aos videoclips portugueses e a quem os produz e realiza. Não é nada facil meus amigos... Stay tuned.
Novo teledisco de Chis Cunningham: «Sheila is a Parasite» (The Horrors)
É um dos grandes acontecimentos do ano em matéria de vídeos musicais: após uma longa espera de 7 anos, Chris Cunningham acaba de lançar (finalmente!) um novo teledisco (Quick Time). O tema intitula-se «Sheena is a Parasite» e é dos The Horrors, uma nova banda que o realizador descobriu no myspace (já viram a sorte dos meninos?). O vídeo, como não podia deixar de ser, é uma absoluta maravilha que resgata a magnífica criação de RH Giger do limbo e atira-a para um minuto e trinta de punk-rock de altíssima qualidade. Escusado será dizer que temos aqui um dos mais sérios candidatos a vídeo do ano.