Quando a equipa do brand:new procedeu à escolha dos cinco vídeos nacionais para a edição #19 do brand:new, lembrámo-nos de enviar quatro perguntas aos cinco projectos musicais seleccionados. Todos eles responderam com um interesse e uma rapidez a todos os títulos assinalável. O meu obrigado canino a todos eles.
PERGUNTAS
1. Contem-nos a história por detrás do vosso teledisco – como surgiu o conceito, quem participou na sua crição, as dificuldades de produção, etc.
2. Consideram os vídeos musicais como apenas um mero veículo de promoção dos vossos discos ou uma parte integrante do vosso trabalho e, desta forma, um elemento essencial na definição da vossa identidade?
3. O que andam a ouvir actualmente e qual foi último vídeo musical que vos marcou?
4. Conhecem os restantes quatro telediscos nacionais que foram seleccionados?

THE VICOUS FIVE
1. A necessidade sempre deu lugar ao engenho. No nosso caso também não foi diferente. Ao precisarmos de um vídeo para acompanhar o nosso primeiro single, «Bad Mirror», o nosso amigo Luís Alegre e o Ideias com Peso, apresentaram-nos uma ideia que tinha tanto de simples, como de genial mas mais, muito mais, de trabalhoso. A ideia era, então, filmar a nossa performance do «Bad Mirror» para de seguida se passar á impressão de todos (TODOS!) os 4370 frames, dividi-los em qualquer coisa como 160 secções, envelopá-las em unidades de +/- 50 frames e juntar-lhes igual número de folhas de papel vegetal. Feita a divisão passámos à distribuição dos envelopes por uma rede de amigos inconscientes do trabalho que tinham aceite. A essência do vídeo assentava exactamente na fase que se segue. A ideia era transmitir uma estética do it yourself e ao mesmo tempo referenciar o carácter disperso e curto do foco de atenção da juventude contemporânea, educada à base de videoclips, e-mails e sms’s. Assim temos em sequência não planeada uma sucessão de qualquer coisa como 100 registos todos diferentes entre si unidos apenas pelo objecto desenhado e pela própria música que os acompanha. O resultado é um frenesim de cor, tão irregular como perfeito na captação da essência da música dos THE VICIOUS FIVE: esquizóide, espontânea, inconsequente e imprevisível. The Vicious Five são os dedos de uma mão que sente e sabe que pode fazer tudo aquilo que conseguir imaginar.
2. A nossa política foi, é e sempre será, uma de total participação e controlo de tudo o que tiver relacionado com a nossa obra. O entendimento que temos do que é uma banda passa pelo cunho constante e sempre presente das cinco individualidades que são os THE VICIOUS FIVE em todos os aspectos da nossa música. O que a música diz a imagem acrescenta, reforçando ou oferecendo outras interpretações, enriquecendo sempre o suporte original. E sim, o que nós parecemos é também o que somos.
3. Andamos a ouvir coisas boas, basicamente é isso! Um vídeo bom que anda aí a rodar é o Woman dos WOLFMOTHER.
4. Ainda não, mas contamos convosco para saturarem o ar com tudo o que de bom se faz em Portugal.

DJ NEL’ASSASSIN
1. As dificuldades são sempre muitas pelo facto de não querer que a manifesta falta de meios (dinheiro, tempo e recursos técnicos) seja impeditiva da criação de um bom teledisco. Como conheço bem os elementos da Droid (a produtora), bastou juntarmo-nos todos numa almoçarada de cachupa com bom vinho e deixar fluir os planos e as ideias.
2. Sem dúvida, considero os vídeos uma forma de divulgação, mas também acho que a imagem e a música se podem associar de uma forma interessante e passarem a ser uma parte integrante do trabalho.
3. DILATED PEOPLES, DAMIEN MARLEY, TALIB K., COMMON e respectivos vídeos.
4. Sim, todos eles. Tento estar atento à música portuguesa.

X-WIFE
1. Resolvemos trabalhar com a empresa Las Palmas depois de ter assistido a um video premiado realizado por eles (Kalle Kotilla & Malakias) no Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde. O vídeo era dos SWEATMASTER e todo o conceito andava à volta de cartazes de concertos rock dos anos 60 e 70. Achei que era algo com o qual nos identificávamos e que poderia resultar com os X-WIFE. Fiquei completamente fascinado com o vídeo que eles tinham realizado e resolvi contactá-los de imediato. A resposta foi positiva. A minha confiança nos realizadores era tanta que lhes entreguei o projecto do video para as mãos sem saber o que poderia sair dali. O importante era que aceitassem - o conceito viria depois. A ideia das t-shirts foi deles e achei que era uma ideia original e com piada. As filmagens foram feitas cá e a montagem na Finlândia. Fomos nos contactando por mail e vendo excertos do video até ao formato final.
2. Na minha opinião tudo faz parte: desde a capa do disco, ao conceito das fotos de promoção, aos videos, página da web, etc... É claro que a musica é o elemento mais importante, mas a imagem sempre teve de certa forma ligada à musica. O vídeo é definitivamente um elemento de definição da nossa identidade. Se não nos sentíssemos confortáveis com um vídeo não o deixaríamos ir para o ar.
3. Andamos a ouvir os GOSSIP, YEAH YEAH YEAHS, EAGLES OF DEAH METAL. O ultimo vídeo que mais me marcou foi o Country Girl dos PRIMAL SCREAM. Pelo simples facto de o querer ver again and again and again. É um vídeo sem pretensiosismos, sem grandes efeitos, simples com uma excelente imagem, divertido e a rapariga que entra tambem ajuda...
4. Conheço o dos THE VICIOUS FIVE e o do TRANQUILO, os outros ainda não tive oportunidade de ver ou talvez já tenha visto mas não associei ao nome do grupo/artista.

TRANQUILO
1. A «Carta da Mãe Natureza» é um vídeo de alerta e surgiu da necessidade de mostrar visualmente o conceito da letra, que pretendia despertar a consciência das pessoas. O planeta Terra (A Mãe Natureza) está cada vez mais sujeito a transformações devido ao mau aproveitamento dos recursos por parte dos seres humanos. O investimento em energias alternativas é quase nulo, devido à rentabilidade que o ouro negro dá às grandes potências, sendo cada vez maior a emissão de CO2 na atmosfera. O aquecimento global é um facto e, como sabemos, as catástrofes naturais são cada vez mais constantes. Mas o que muitos não sabem é que muitas delas têm origem nas correntes quentes dos oceanos: logo, se o aquecimento global é um facto…Cuidado! Será que não vale a pena pensar um pouco antes de agir? As guerras só existem por razões financeiras, o armamento bélico é uma das maiores fontes de rendimento das grandes potências, o petróleo é parte integrante do núcleo da terra e não é inesgotável, o lixo que produzimos não vai para o espaço, ele fica algures nos arredores de nossas casas em decomposição ou é queimado, aumentando ainda mais a emissão de gases para a atmosfera. É da prevenção que se faz o futuro e nós, somos o futuro. Somos nós que, com pequenos actos, podemos começar uma nova era. São os nossos filhos e netos que cá vão ficar. O vídeo foi idealizado por mim e foi filmado, produzido e montado com a ajuda de um amigo, o Vasco Viana. As dificuldades foram muitas, muitas horas a filmar, muitas transformações de imagem e muito corte e costura... Capta, corta, transforma e monta.
2. Creio que, antes de qualquer vínculo de promoção, é sem dúvida parte integrante do meu trabalho. Este vídeo não representa o 1º single do disco De Consciência Tranquila, mas independentemente disso, foi feito e introduzido no disco para dar mais impacto à mensagem que eu gostava de transmitir.
3. Apesar de ouvir mais rap e reggae, gosto de ouvir de tudo um pouco. Neste momento, a rodar na aparelhagem tenho Rostu Limpu do SAGAS, Revistados (o tributo aos GNR) e Welcome to Jamrock do DAMIAN MARLEY. Quanto a vídeos, para ser sincero, não tenho estado muito atento, mas um que me chamou a atenção foi o Intoxication do GENTLEMAN.
4. Conheço apenas um deles e gosto bastante: It’s a Complow do DJ NEL’ASSASSIN.

DAPUNKSPORTIF
1. O teledisco retrata a história da música «I Can’t Move (but my head runs like a horse)». Esta fala-nos de alguém que está num meio fechado e tem bastantes ideias mas nada faz para as concretizar. Perante essa impotência, refugia-se num determinado vício que o induz num turbilhão de sentimentos e atitudes que o arrasta para determinadas situações de risco e, cada vez mais o afasta da concretização dos seus objectivos. O conceito do teledisco assenta numa imagem do género de banda desenhada que transmite, precisamente, a ideia de uma falsa realidade. Ao mesmo tempo, em termos de produção, tudo ficou mais fácil e barato porque foi utilizado o computador para animar a história e, apenas uma câmara sobre um blue screen (desenrascado pela produção) para filmar várias acções dos elementos de DAPUNKSPORTIF. A ideia deste teledisco surgiu dos próprios DAPUNKSPORTIF e foi desenvolvida, em conjunto, com o Ricardo Viana (realizador) e o Ulisses Dias (produtor executivo) da empresa Slingshot e, todo o processo de realização e produção contou com um grande empenho e carolice dos intervenientes: Dapunksportif e staff da Slingshot.
2. Nós encaramos os vídeos como um excelente veículo de promoção da nossa música e identidade. Nós tentamos fazer do nosso trabalho um todo. Música e imagem não se dissociam, complementam-se.
3. O último vídeo musical que nos marcou foi, precisamente, o de Carta Da Mãe Natureza (TRANQUILO), pela sua mensagem e concepção. Em termos de audições, o destaque vai para os últimos álbuns de TOOL e EAGLES OF DEATH METAL.
4. Sim, graças ao brand:new.